segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A teoria da alienação

 

Istvan Mesjaros colocava na origem da teoria da alienação a doutrina da graça da religião cristã e estava parcialmente certo. Mas do ponto de vista estritamente materialista a alienação ocorre quanto mais o homem se complexifica em suas relações. A resposta cristã é uma tentativa idealista de explicar o fenômeno, mas a verdade é que a teia de relações,quanto mais cresce, afasta cada vez mais o homem do homem, através de mediações de convencimento e poder que visam a dar uma organização social, a qual esconde injustiças e exploração.

Fica parecendo, com o que eu digo , que havia uma certa inevitabilidade no processo de crescimento material da humanidade, mas a minha impressão sempre foi esta, levando em conta as enormes insuficiências da humanidade em seus inicios na superfície terrestre. As condições geográficas também: relação com os alimentos, com os recursos naturais e nós poderíamos revistar a discussão posta por Montesquieu sobre os condicionantes geográficos da civilização.

Desde a comunidade primitiva a única forma de mantê-la como uma forma de organização mais justa e menos cruel é se afastar da civilização, como esta última construida: pela exploração das classes menos favorecidas, pela divisão injusta das riquezas, que ficam na mão das classes altas e pela supressão da liberdade da maioria do grupo social. Isto com as mais diversas justificativas ideológicas.

Mediações e mais mediações surgem ao longo do tempo para afastar o homem do homem e reuni-lo de novo é uma tarefa hercúlea ,dificil e cada vez mais complexa.

Mas é a partir da questão material, que deve haver a discussão sobre o problema desta alienação que separa o homem e a humanidade.

O uso pura e simples da religião, da perda da graça pelo pecado, simplifica demais: o homem não perdeu a graça divina , ele perdeu o seu imediato, a relação com a natureza, por culpa dos outros homens ,movidos por novos interesses, na medida do crescimento material da sociedade. A ser continuado.

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