Continuando nossa análise sobre as relações hegelianas e de Boehme sobre o bem e o mal, nós temos que tratar do problema pedagógico.
Muita gente entende que a forma de educar é expor a pessoa ao mal. O esforço, por exemplo, do soldado, se constitui como principio pelo conhecimento do mal.
Em muitos exércitos , entre os marines, exibem-se imagens de morte, tortura, aos pretendentes ao oficio , para mostrar-lhes em que estão entrando.
Mas eu faço uma distinção entre o problema militar e a educação, no sentido corriqueiro do termo, civil: o problema militar é eventual e implica na aceitação da violência como forma de obter o que se quer.
Na vida corriqueira admitir que a exposição ao mal “ educa” a pessoa, as crianças, não tem sentido, antes representa uma forma de sadismo, de imposição de sofrimento.
Aqui se observa que o que leva as pessoas a crescer, a buscar educação, é o sentido de responsabilidade com os outros e o compromisso com o bem, por si mesmo, e não referenciado ao mal.
O sacrificio que se faz em nome de uma causa ou de alguém não necessita de comparação com o mal, mas o seu reconhecimento e a necessidade de sua superação.
Mas então Kant está errado em dizer que o mal radica na humanidade? O que ele quer dizer é exatamente reconhecer a grande possibilidade do mal em si mesmo, mas a noção de bem ,contrastada com este reconhecimento , vale por si.
Somente no plano racional, da consciência, é que se pode pensar numa dialética de bem e mal, entendida como um processo de reconhecimento do que é ruim para a humanidade.
Nunca está presente necessariamente o mal , realmente ,o mal em si mesmo, na subjetividade, porque assim não poderia fazer uma distinção formal entre bem e mal.