Um dos exemplos mais notórios da igualação do bem e do mal na dialética, é a questão dos judeus. Sacrificados na segunda guerra eles foram os garantidores definitivos da pátria judaica ,tornando impossivel a negativa dos outros povos quanto a este pedido.
Assim como supostamente aquele que compreende a liberdade só depois de ser escravo, aquele que morre injustiçado, sob tortura, é a condição da repulsa dos bons, é a condição do reconhecimento do bem.
Ainda me lembro de Francisco Julião se referindo a isto, aplicando na questão da exploração: quanto mais, mais a consciência nasce entre os trabalhadores.
Isto tudo encerra um cinismo , uma perversidade, que parece constituir a natureza do ser humano, assim como alei do menor esforço.
A complexidade da sociedade afasta os homens e o sofrimento daquele que não é visto e não tem importânca para ninguém. A figura de Cristo é uma tentativa de lembrar em todos os lugares que o sofirmento existe e que devemos lutar contra ele. Na faina diária ,no entanto, na busca incessante do dinheiro onde arranjar tempo para pessoalmente ajudar?
Nas democracias representativas ocorre aquilo que Rousseau já havia notado no “ Contrato Social”: há a alienação da vontade e nós dizemos que neste processo de alienação da vontade perde-se o compromisso quanto ao sofrimento humano.
Uma época de lembrar este sofrimento, estas injustiças, que ficam como temas da arte e da literatura( e de outros meios também), é a em que vivemos. É um avanço, mas é pouco, e a necessidade de encontrar um caminho se torna cada vez mais imperativo.
Só o pensamento resta como forma de denuncia real destes fatos, mas falta o rastilho de pólvora, a centelha do movimento. Depois da Revolução Russa , onde encontrá-la?