segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

As origens do pensamento de Hegel V Jacob Boehme “O Mal ensina(?)”

 

Continuando nossa análise sobre as relações hegelianas e de Boehme sobre o bem e o mal, nós temos que tratar do problema pedagógico.

Muita gente entende que a forma de educar é expor a pessoa ao mal. O esforço, por exemplo, do soldado, se constitui como principio pelo conhecimento do mal.

Em muitos exércitos , entre os marines, exibem-se imagens de morte, tortura, aos pretendentes ao oficio , para mostrar-lhes em que estão entrando.

Mas eu faço uma distinção entre o problema militar e a educação, no sentido corriqueiro do termo, civil: o problema militar é eventual e implica na aceitação da violência como forma de obter o que se quer.

Na vida corriqueira admitir que a exposição ao mal “ educa” a pessoa, as crianças, não tem sentido, antes representa uma forma de sadismo, de imposição de sofrimento.

Aqui se observa que o que leva as pessoas a crescer, a buscar educação, é o sentido de responsabilidade com os outros e o compromisso com o bem, por si mesmo, e não referenciado ao mal.

O sacrificio que se faz em nome de uma causa ou de alguém não necessita de comparação com o mal, mas o seu reconhecimento e a necessidade de sua superação.

Mas então Kant está errado em dizer que o mal radica na humanidade? O que ele quer dizer é exatamente reconhecer a grande possibilidade do mal em si mesmo, mas a noção de bem ,contrastada com este reconhecimento , vale por si.

Somente no plano racional, da consciência, é que se pode pensar numa dialética de bem e mal, entendida como um processo de reconhecimento do que é ruim para a humanidade.

Nunca está presente necessariamente o mal , realmente ,o mal em si mesmo, na subjetividade, porque assim não poderia fazer uma distinção formal entre bem e mal.



sábado, 31 de janeiro de 2026

As origens do pensamento de Hegel IV Jacob Boehme

 

Os efeitos da “ dialética de direita” (que atingem também a esquerda), pelos menos os piores, são aqueles que criaram uma banalidade no processo d e mudança politica.

Hoje se admite que para se obter sucesso em determinados objetivos politicos e empreendimentos, é bastante razoável, aceitar

matanças, crueldades e violências.

Uma vez um ministro de Pinochet, Pinera ,disse que era aceitável atingir o crescimento à custa de algumas pessoas , do sofrimento de algumas pessoas.

Mas houve um momento em que o secretário geral do Partido Comunista Brasileiro, Giocondo Dias, perguntado sobre os problemas do socialismo real, inclusive violências, disse que os êxitos eram tão grandes que compensavam.

Isto é resultado das reflexões de Hegel sobre o terror na Revolução Francesa. Ele foi o único pensador que legitimou este periodo, como parte da História. Todos os outros afirmaram o fim da Revolução Francesa, dos seus ideais iniciais generosos.

É a alternativa do diabo. O diabo está presente no processo histórico como parte do aprendizado da humanidade: o terror cumpre o seu papel de “limpeza” do passado , o que é essencial para a construção do progresso. Stalin “ raciocinou” assim, dentro deste espirito hegeliano e de Jacob Boehme.

Pelo mal se constrói a história: é assim mesmo. Sem as violências do terror não era possível avançar alguns elementos históricos da sociedade burguesa e capitalista, que lutava para emergir da sociedade feudal, que ela estava procurando superar. O que interessa é isto, sem considerações éticas e vendo o diabo, o mal, como um elemento pedagógico de aprendizado da humanidade.

A humanidade teve 5000 anos de escravidão. Com o tempo ela vai notando as possibilidades que teria se não houvesse escravidão e começa a lutar para a superá-la. Sem,portanto, o mal, não haveria o bem. O bem não vale por si mesmo, mas depende do “grande separador”. O diabo adquire uma legitimação.



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

As origens do pensamento Hegel III jacob boehme

 

Esta dicotomia ou contraposição na verdade legitima o mal. Parece incrivel mas o desenvolvimento da filosofia provou que para muitos o reconhecimento do mal é essencial e inelutável, o que faz da dialética hegeliana um criadouro de ideias perversas, geralmente aproveitadas pela direita.

Como sabemos existe uma leitura de direita do pensamento de Hegel. Algumas frases famosas de Hegel estavam postadas nos campos de concentração e exterminio, inclusive em Auschwitz “o trabalho liberta”. Mas em teresienstad estava também outra: “o que é racional é real , o que é real é racional”.

A inclusão, pela dialética, do mal, como parte do processo do movimento e do conhecimento do movimento, levou à sua legitimição, bem como à sua participação no processo humano de libertação.

O diabo adquiriu o direito de falar, até aí tudo bem, mas passou a ser uma mediação das relações humanas e um ataque à chamada boa sociedade.

Na recusa em aceitar a boa sociedade, que tanto empolgou as pessoas(inclusive,em certa época,eu)justificou-se muita transgressão. No esforço de mostrar as falsidades da “ boa sociedade” ,muita gente justificou a sua própria falsidade, admitindo qualquer coisa para alcançar os seus objetivos, nem sempre legitimos também.

O problema não é mostrar as falsidades da boa sociedade, é lutar pelos bons valores contra ela ,porque isto a modifica e a altera.

E de outro lado o problema social joga um pouco mais de tempero a este massacre do bem.

Mas acima de tudo, e isto é impressionante, pessoas consideram pedagógico usar o mal como forma de mostrar como o mundo e assim educar, principalmente as crianças e jovens.

Neste momento eu faço uma análise da visão de direita de Hegel.



domingo, 25 de janeiro de 2026

As origens da dialética II Jacob Boehme

 

A dialética, que aparece como explicação do movimento, iguala,para tanto, o bem e o mal, deus e o diabo. Há nas afirmações de Boehme um insight axiológico: o mal induz o homem a procurar o bem, mas esta decisão é axiológica, valorativa.

Em toda axiologia está, no entanto, algo de imóvel, porque a mudança constante do sujeito revela muitas distorções possíveis, mas principalmente falta de valores. Os valores não podem ser mudados constantemente, mas segundo critérios que levem em consideração questões objetivas e circundantes da subjetividade.

A dialética e a axiologia são , na sua relação, cheias de ruidos uma com a outra.

Mas isto tem uma consequencia um tanto mais grave: é que a dialética pode não ser movimento ,mas destruição, porque ela cria uma dependência mútua entre o bem e o mal, bem como com outras dicotomias. Então o bem seria o mal e vice-versa.

Eu me lembro que um dos exemplos usados para significar positivamente a liberdade era ter o conhecimento da escravidão, da sua perda.

Schelling dizia “ser livre não é nada, tornar-se livre,eis o céu” ,isto é, liberar-se constantemente de algo que o oprime(com todas as consequencias desta opressão)é mais importante do que o usufruto da liberdade. Parece o mito de Sísifo.

Esta junção enre o usufruto real da liberdade, como coisa em si, e a consciência de sua perda, que o sujeito pode não ter nunca, parece uma junção entre a vida real e a via intelectual explicativa, em favor desta última.

Aquilo que é pura e simplesmente, não necessita de contrafação, muito menos de experiência. É como dizer que é preciso entrar num forno crematório para perceber que os nazistas estavam errados...

O aparecimento do mal, como possibilidade, é algo que se impõe como experiência da e na humanidade, mas a sua experimentação não é a forma de garantir o seu contrário.



sábado, 24 de janeiro de 2026

As origens do pensamento de Hegel Jacob Boehme

 

Muitas consequencias derivam da reforma protestante:eu já me referi a algumas mudanças filosóficas e culturais, como a relação com o trabalho,que passa a ser um meio de redenção e libertação.

Agora falaremos do problema do mal.

Existem muitas consequencias no seio do protestantismo que se referem ao mal,mas nós tratamos aqui do mal que surge junto com a dialética,no ambito do pensamento de Jacob Boheme.

Em primeiro lugar como Deus está presente em todas as coisas(inicio de um panteísmo?),inclusive no mal,o mal está nele ,mas de um modo muito especifico. O mal é o “outro de Deus” ,o grande separador , Lúcifer ,pelo qual, por sua oposição, se constrói o bem.

A revelação do bem, por parte de Deus, só é possível porque existe o mal. Aqui está o inicio da dialética, que contrapõe dois termos iguais, havendo evidentemente uma “ escolha” por Deus, pelo bem.

Diz Boehme: “o Mal ou a vontade contrastante produz o bem como a vontade de retornar ao seu principio originário, a Deus, e faz com que o bem se torne ativo como boa vontade”. (BOEHME, 1989, p.12).

Sem este contraste não há vontade para construir o bem, de diversas maneiras.

Mas como conciliar numa coisa, como Deus, o Bem e o Mal?

Estas afirmações misticas de Boehme são o inicio do movimento como problema filosófico( e não científico).

Um seu comentador resume assim: “A Vontade do Sem-fundo (Ungrund) de revelar-se e conhecer-se. A primeira determinação do Indeterminado. A esta primeira Vontade Boehme chama Deus-Pai”
Deus pai é o universal (ainda)indeterminado que se particulariza e toma consciência de si no Deus-filho, Cristo, o qual, de imediato, é apenas ele, a pessoa de Cristo, que só assume condição divina na humanidade sendo tudo e todos.

Neste momento Deus se torna espirito universal concreto revelação e auto-revelação e só pode ser representado pelo Espirito Santo.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Continuando os comentários sobre a monadologia.

 

    Ora, onde não há partes, não há extensão, nem figura, nem divisibilidade possíveis, e. assim, as Mónadas são os verdadeiros Átomos da Natureza, e. em uma palavra. os Elementos das coisas.

    A concepção da existência do átomo não tem ainda ,ao tempo de Leibnitz,comprovação,o que só ocorrerá no século XX.

    Então como devemos entender este conceito de átomo de Leibnitz?

    Como uma hipótese daquilo que se considera algo indivisível,mas como conceito,e não realidade,já que o átomo foi sendo progressivamente subdividido em particulas.

    Nós devemos por os filósofos no seu momento histórico e entender as suas concepções,comparando-as com a realidade.

    Os filósofos que tratam da ciência dependem em grande parte dela para suas proposições.Assim se dá entre os epistemólogos de modo geral e é o caso de se perguntar se existe uma filosofia epistemológica independente,critérios gerais de abordagem da ciência e da filosofia ligadas a ela.

    Este texto de Leibnitz nos ajuda a colocar o problema, inicialmente , como já apresentamos, do ponto de vista histórico, as limitações do filósofo, diante do conhecimento de sua época.

    Esta verdade foi posta pela primeira vez e de forma decisiva por Kant:os filósofos,como todos nós, são datados, por coordenadas de tempo e espaço.

    O conceito de indivisibilidade é que deve ser tratado aqui.O finito e o infinito,aquilo que dá origem a algo,aquilo que é elemental e básico na natureza.

    A partir daí reflexões são feitas agregando ou não outros elementos constantes da natureza.


domingo, 28 de dezembro de 2025

Serie mitos e verdades da segunda guerra

 

Posso agora voltar a dois temas que gosto muito:direito e marxismo e segunda guerra.

Em primeiro lugar tratarei deste ultimo tema,depois retorno ao outro.

A (re-)leitura ,mais sistemática,das memórias de Churchill,me permite fazer outras observações,além do quê,sob a perspectiva da maturidade.É como ler de novo,como se fosse a primeira vez.

E logo reestudei o problema relativo à Tchecoeslováquia em que Churchill tem uma posição quase semelhante à dos soviéticos,que não foram chamados para a cimeira de Munique.

Churchill é um daqueles que pensa que a guerra praticamente começou aí e é justamente sobre este fato que eu quero comentar.

A posterior invasão da Tchecoeslováquia,em março de 39,era a justificativa perfeita para o inicio do que viria a ser o inicio da segunda guerra.

Permanece(para mim) um mistério porque Reino Unido e França não declararam guerra neste momento,o que teria salvo a Polônia do que lhe aconteceu depois.

A Eslováquia tornou-se independente e os alemães invadiram os sudetas.Estes fatos diminuem decerto o impacto da invasão,isto sem falar nas pretensões da Polônia,que podiam soar como defensivas.

Mas a verdade é que esta invasão feria os principios do acordo de Munique e só uma declaração de guerra era a resposta possível e plausível.

Nas narrativas atuais estes fatos são ignorados:o pragmatismo do apaziguamento deixou a Polônia a descoberto e um espaço maior de manobra para os nazistas.

A razão para este apaziguamento todo mundo sabe: Hitler era um anteparo para os comunistas,mas chegou o momento de que este pretexto parasse de servir aos propósitos imperialistas de Hitler no âmago da Europa.Eu vou discutir isto proximamente.