Toda a discussão de Nietzsche sobre bem e mal denota uma época protestante, em que cada vez mais se procura diluir esta disitinção entre bem e mal.
Esta visão católica de Bem e Mal absolutos, vai sendo progressivamente superada pela visão reformada, que já vê o homem de uma maneira diferente.
Passando por Kant(pietista, protestante), para quem o mal radica na humanidade, embora a distinção permaneça , os seus meios de apuração e construção se modificam ao ponto de se buscar algo diferente do bem e do mal absolutos.
Mas a questão não é esta ,para mim: sempre o mal e o bem são construidos, como uma dialética psicológica a ser bem entendida e interpretada.
O absoluto não existe, é uma abstração criada pela subjetividade e que tem um sentido místico( Boehme) de abandono à religião e à crença(Kierkegaard-Boehme), mas não realidade, muito menos objetiva. Em qualquer época, mesmo de predominio da catolicidade, é uma ilusão pensar que o mal e o bem são absolutos.
Interesses de poder, lógico, fundaram esta concepção, mas ela nunca foi real.
Contudo, entendo que há uma diferença fundamental entre o Bem e o Mal, que não pode ser diluída como Nietszche quer. É necessário fazer uma distinção entre aquele que joga uma criança no forno crematório, e aquela que a retira.
Tem estas atitudes um caráter absoluto? Se dissermos que são construidas temos que aceitar uma certa diluição ou fraqueza de fundamento nelas?
O reconhecimento do mal participa da atitude do bem? Se não houvesse o mal, o diabo, não haveria o reconhecimento do bem? E no cotidiano, em que o mal não aparece assim tão definido(forno crematório), em que medida a presença do mal se faz sentir como catalisador do bem?