sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A dialética do móvel e do imóvel

 

No esforço de compreender a dialética me deparei com a possibilidade de fazer uma dialética entre aquilo que se move , o movimento ,e o não movimento.

Istro porque ,ao longo do tempo e ao longo da história, algumas coisas permanecem e outras desparecem, ficando num passado remoto,que eventualmente, retorna.

Então nós temos certas verdades que permanecem,pelo menos por um tempo, que transcendem as gerações, não permanecendo indefinidamente.

O elemento decisivo desta permanência é a memória das coisas consideradas importantes para a humanidade como um todo.

As coisas em si mesmas produzem a sua importância, mas a humanidade escolhe evidentemente aquilo que quer ver e aquilo que é mais util no presente.

A História da humanidade, em suas multiplas manifestações artísticas,cientíticas e culturais, são a mediação principal daquilo que permanece,que fica e que serve afinal, de base para se construir algo: o passado fundamenta o presente e cria as condições do novo, que só o é absolutamente, supostamente,se for algo casual e não inserido numa série fatos semelhantes, de modos semelhantes do tempo. Mas mesmo este novo deriva da mimesis, deixada pelo passado.

O casual não fundamenta a dialética,porque ele é ele mesmo, mas aquilo que permanece, que é imóvel no tempo constitui, nesta construção,uma dialética possível com as realidades do presente.

Se eu observo aas pirâmides do Egito, que estão aí sempre, posso tirar delas, pelo estudo, novas conclusões, novas verdades,se as condições subjetivas e objetivas puderem permitir.

O que é senão O Capital de Marx uma relação com algo permanente, o capitalismo, buscando algo novo. Este algo novo aparece desa crítica do capitalismo?

Sabemos que nem sempre isto ocorre, mas em outros casos sim.

Da análise dos dados do real, foi possível a Einstein formular a nova teoria da relatividade.

Assim .o movimento se constitui,muitas vezes, tendo como referência o permanente, o imóvel.



domingo, 30 de agosto de 2026

O sentido do Ser

 

Existe um sentido único do Ser? Se não existe qual o sentido do Ser,para que ele serve? Na perspectiva do sujeito cognoscente saber estes prováveis e possíveis sentidos do Ser tem quê significado?

Do ponto de vista da objetividade, significa que o mundo é plural, mas, de novo, de que adianta esta pluralidade? Certo, esta pluralidade significa que , como toda possibilidade, há sempre uma chance, no momento seguinte.

Se o mundo fosse fechado seria o inferno, o inevitável. Há coisas inevitáveis na vida e no mundo, mas de modo geral , para existirem, esta “ abertura” é essencial.

Contudo ,a pergunta sobre o sentido continua. O sentido une o sujeito e o objeto, com a preeminência do sujeito, do dasein . O sujeito “ escolhe” ,na pletora de sentidos do Ser, aquele que está mais afeito a ele.

Aristóteles pretendia um Ser definitivo, mas com o tempo, que é a base das possibilidades e sentidos do Ser, ele se modifica.

Os três momentos mais decisivos deste processo histórico e no tempo são o já referido Aristóteles, depois Kant, e no final o nosso Heidegger, que põe o problema do sentido.

Há outros filósofos,mas falarei deles em outros artigos.

A minha intenção aqui é mostrar que se não há para o Ser os multiplos sentidos que ele apresenta o que nos orienta enquanto humanos, na vida?

Aristóteles nos dá a base , Kant o sentido crítico, e Heidegger , o sentido,dentro daquelas conjecturas que fiz sobre esta questão, no que tange à presença das essências.

De qualquer forma, me parece que em Heidegger o que fica, para além da discussão posta por mim, é o reinado da possibilidade, da possibilidade pura, como ele mesmo diz.

Mas esta possibilidade,este reinado, é definitivo, como a ciência para si mesma se colocou várias vezes?

Acontece com Heidegger o mesmo que com Einstein: plus ultra?



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A diferença entre um pensador e um filósofo

 


Eu cheguei a esta distinção sozinho, não a ela própria, mas às suas caracteristicas. No entanto Heidegger já tinha analisado esta distinção numa palestra que concedeu.

Ele se refere à história da filosofia, quando ela surgiu, no texto: “que é isto a filosofia?” e num determinado momento ele diz que Heráclito e Parmênides não são ainda filósofos, mas pensadores , porque tratam do panta , de tudo, não necessariamente e somente da filosofia .

Mas isto me suscita uma pergunta ou várias, no estilo de Heidegger: será que há uma desconexão entre o pensamento e a filosofia ? Aristóteles , que já é um filósofo, não guarda algo deste pensar (quiçá profissional)? Aristóteles , como Hegel, e outros, não tem ainda este elemento não-filosófico quando trata do céu, dos meteoros, da física , da biologia?

E Hegel , através da dialética também não é do mesmo balaio? A dialética aborda igualmente tudo.

A definição de filosofia , por causa destas elucubrações, não há de ser aquela que vemos nos manuais de filosofia , filosofia do direito e outros que tais: a reflexão sobre todas coisas.

Tal definição se refere ao pensamento, mas este pensamento não é obrigatoriamente filosofia.

Contudo e eu peço a atenção aqui do leitor, a definição distintiva do pensador se refere ao fato de a filosofia ser puramente pensamental.

O que distingue uma coisa que por si mesma é distinta ,é uma palavra só: pensamento . Então algo anterior ao pensamento define a diferença entre o pensamento em geral e o filosófico (que é um pensamento em geral afinal).

Este algo geral é o posicionamento diante do mundo, da existência: se se posiciona diante de determinadas essências, substâncias,estamos no pensamento em geral sobre todas as coisas.

Se se posiciona diante do Ser , da existência, em geral , o pesamento é filosófico.

São duas instâncias genéricas, a das coisas e a do Ser. Não é um pensamento que define os modos do pensamento ,mas o posicionar-se do ente, aquele que se põe de uma maneira, diante da entidade, aquilo que seposicionou diante dele como algo.

Não há, pois, como conhecer o conhecimento, porque há um limite neste processo(que já não é processo):senão haveria uma infinidade de conhecimentos. Há um conhecimento das várias manifestações do real.



terça-feira, 21 de julho de 2026

Viagem à história da filosofia Locke

 

Continuo os meus estudos sobre os filósofos e pensadores. Como já expliquei em antigo artigo, pensador é aquele que reflete sobre qualquer assunto, sobre diversos temas, enquanto o filósofo é aquele que trabalha naturalmente só com a filosofia.

E há muitos anos também , usando critérios da professora Katia Muricy, disse eu que a filosofia é um sistema de pensamento, de ideias inter-relacionadas, metodicamente.

Um pensador pode tratar de economia, de psicologia, de pedagogia, mas um filósofo se define por trabalhar com a filosofia, com o pensamento puro, não referenciado a uma empiria.

Aliás muita gente entende a filosofia separada da empiria. A empiria só seria afeita à ciência prática enquanto que a filosofia fica só no pensamento puro.

No passado também ,já esclareci a minha posição: não é possível um pensamento que não seja influenciado direta ou indiretamente por uma experiência.

Ela pode não ter, no imediato, uma influência, mas está presente na formação do eu e do ego, eles se intercambiam dialeticamente, num diálogo permanente.

Existem filósofos que fazem filosofias empiristas, que admitem esta relação e até entendem que a origem do pensamento é a empiria, a experiencia do ser humano no contato com o mundo.

Hume, Leibnitz e... Locke.

Para eles nunca houve esta distinção, mas eles foram justamente criticados por reduzir tudo a uma experiência objetiva, sem levar em consideração as aptidões próprias, mentais, cerebrais, do ser humano.

Até o século XIX, Engels, por exemplo, se admitia somente a primazia da experiência, mas curiosamente isto reflete um certo intelectualismo objetivista e idealista, na media em que a experiência nunca exatamente nunca nos traz aquilo que os sentidos mostram. A pura aceitação do que a experiência, os sentidos nos traz é intelectualismo objetivista e idealista.

domingo, 19 de julho de 2026

viagem para Marte

 

A fila avançava devagar, como se o tempo quisesse prolongar aquele adeus.

O céu de São José dos Campos estava opaco, coberto pela poeira das naves que decolavam uma após a outra. O som das turbinas engolira o canto dos pássaros havia semanas. Na tela translúcida flutuando sobre a entrada da base, uma contagem regressiva: T-43 minutos para mais um embarque terrestre rumo a Marte.

— A gente vai esquecer deles, mãe? — perguntou Luísa, apertando o pingente de prata que herdara da avó.

Clara olhou para a filha e não soube o que dizer. Como responder àquela pergunta com os olhos ainda vermelhos da visita ao jazigo? Como explicar que, apesar de toda a tecnologia, ninguém havia inventado um jeito de levar os mortos?

— Não, filha... A gente nunca esquece. Mas dói como se traíssemos.Vc precisa aceitar isto.

— E se eles acordarem? E se um dia voltarem?

Clara abaixou-se até o nível da menina.

  • Os mortos não voltam, meu amor. E mesmo que voltassem... não saberiam onde nos encontrar.

  • Podem voltar sim mãe,clonagem.a sra não falou nos avanços da ciência?

  • Os seus avós não estão em bom estado para a clonagem e além do mais os governos pararam com as clonagens,por causa do problema populacional.

As lágrimas vieram, contidas, mas certas. Ao redor, centenas de famílias viviam aquele mesmo luto coletivo. Cada passageiro da nave Arcádia carregava o peso de um planeta inteiro e de seus ausentes.

O homem à frente, um senhor de barba espessa e olhos de vidro molhado, carregava uma pequena urna. Os oficiais da Agência Espacial já tinham avisado: nada orgânico, nenhum resquício da Terra poderia ir. Nem cinzas. Ele sabia disso. Mesmo assim, não largava.

— Meu pai sempre disse que queria ver outros mundos — murmurou o homem, falando com ninguém. — Acho que, pelo menos assim, ele vai comigo até a borda.

— Desculpe, senhor — disse o agente uniformizado, aproximando-se com firmeza — não é permitido.

— Eu sei — respondeu ele, entregando a urna sem protesto. — Mas me deixem fingir que ele me acompanhou até aqui.

Clara viu aquilo e sentiu um nó se formar em sua garganta.Porque ele não colocou uma cinza no seu bolso?

— Estamos deixando nossa história para trás — sussurrou para si.

Luísa olhou o céu e falou, quase como prece:

— Será que em Marte tem cemitério?

Clara engoliu em seco, olhou em volta e respondeu com um sorriso triste:

— Só para os que vão viver lá.

As portas da Arcádia se abriram com um sopro metálico. Entraram em silêncio. Como se não quisessem acordar os mortos.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Hegel e a História da Filosofia e a Filosofia da História meus estudos em História da Filosofia

 

Há uma diferença entre História da Filosofia e Filosofia da História. A narrativa do pensamento dos filósofos é uma coisa, outra é explicar a história sob um processo lógico admitido previamente.

Quem criou uma filosofia da História foi Hegel e esta discussão permanece até hoje, se existe ou não tal “filosofia”.

A maioria abandonou completamente este conceito, mas como acontece com toda a metafísica(que o é, a filosofia da história)alguns temas atinentes ao problema permanecem em disputa e discussão até aos dias de hoje.

Mas o que eu quero falar aqui neste artigo é sobre os meus estudos de filosofia, que eu já disse versam sobre a História da Filosofia. Não é que eunão me interesse pelos autores de filosofia. Mas eu procuro sempre trabalhar as circunstâncias nas quais os pensadores produzem as suas ideias.

Não acho possível separar uma coisa de outra e talvez fosse mais fácil entendê-los se esta perpsectiva histórica fosse colocada pari passu à sua descrição nos manuais de filosofia e história da filosofia.

Assim como na ciência fica mais fácil entender certos conceitos e ideias vendo a contribuição de outros e como se dá a chegada a certas descobertas(que é um empreendimento coletivo em grande parte), na filosofia e nas ciências sociais o mesmo ajudaria a entender melhor certos conceitos, analisando a sua gênese.

Eu trabalho com vários filósofos: Nietzsche; Hegel; Marx; platão ; aristóteles; os pré-socráticos; Kant , a filosofia clássica alemã; Heidegger ;Sartre et al e daqui por diante procurarei trabalhar constantemente com estes pensadores na sua perspectiva histórica, num esboço de história da filosofia, que busque os condicionamentos da sua obra.

Mas isto dentro também de uma procura de algo novo ou escondido nestas obras. Por mais que tenham sido debatidos estes autores há sempre algo a garimpar.



sexta-feira, 10 de julho de 2026

Hegel a identidade concreta e a identidade formal

 

A identidade concreta é a identidade do movimento(dialético somente?),a identidade formal, abstrata formal se constrói por um juizo que identifica(adequa) sujeito cognoscente e objeto cognoscivel. Se eu digo “a bola é redonda”, esta identidade é óbvia.

Farei uma explicação prévia sobre o juizo, que eu falei tanto em Kant:como se sabe Hegel divide o seu trabalho em três partes, a doutrina do Ser, a doutrina da essência e a do conceito.

Pelo conceito nós apreendemos a essência do Ser, mas o método de produção do conhecimento, segue além no juizo e daí para o silogismo.

O que dissemos no primeiro parágrafo se refere à identidade abstrato\formal. Mas há que se compreender que diante da unidade do conceito concreto “bola” existem muitas possibilidades de diferenças conceituais. A bola pode ser azul, pode ser de plástico, de encher de ar, enfim, uma infinidade de possilidades.

A escolha do sujeito “bola” tira-o do seu isolamento conceitual, a partir dos diferentes e possíveis predicados. Existe uma tensão entre os dois e inere ao sujeito a qualidade atribuida a ele(redonda).

Estes dois termos , sujeito bola e predicado redonda, só se constituem porque são diferentes. Tal significa que a unidade formal inicial a adequação entre dois termos “ a bola é redonda”,só se constitui porque eles são diferentes.

Mas até aí estamos em Kant: a escolha das diversas qualidades da bola não é como Hegel pensa, pois há uma dialética obrigatória entre estes dois termos.

O sujeito só existe dialeticamente pelo seu contrário o predicado. S é S porque se relaciona com o P, predicado e P é P porque é determinado por S.