O problema do bem e do mal em Hegel é fruto do seu pensamento sobre a história, a sua filosofia da História, um conceito que é atinente praticamente a ele: ele inventou este termo, que vinha sendo gestado por Jacob Boehme e Mestre Eckhart.
Na sua filosofia da História o mal ocupa efetivamente um lugar legítimo. Como tantas vezes tenho demonstrado foi a partir da legitimação do terror na Revolução Francesa que Hegel começou a elaborar o seu pensamento histórico.
Para dar sentido a este momento da Revolução, um momento do tempo da Revolução, ele entendeu não como fracasso aquilo que outros intelectuais o entendiam como tal.
O fracasso da Revolução é um meio para se ter consciência do papel da justiça, da liberdade e do bem. Sem isto não haveria o nascimento desta consciência e desta luta.
Ainda me lembro de meu professor Roland Corbisier mostrando que só se tem, dialeticamente falando, consciência da liberdade porque se a perdeu, no âmbito da História.
Então o terror tem um significado positivo de abrir o caminho da luta pelo bem. Mas também o genocidio na época do nazismo? Segundo Hegel sim. Quando Althusser diz que a “história é assim mesmo” não está fazendo mais do que expressar aquilo que mais do que potencialmente Hegel formulou.
E mais do que isto, o mal pode produzir o bem:muita gente não s e dá conta de que,em grande parte, a descolonização pós-segunda guerra,a começar pela India, só foi possível com o enfraquecimento de Inglaterra e França na segunda guerra.
Muitos dizem que Hitler, se fosse correto, aceitava a derrota definitiva em fevereiro de 1943 em stalingrado e não prosseguia no conflito.
Mas a rigor a luta precisava continuar para que seus objetivos históricos pudessem se realizados , um dos quais era o enfraquecimento das potências coloniais já citadas.
A India foi beneficiária: a Inglaterra ficou totalmente depauperada, assim como a França e tudo por causa da continuidade da guerra, que Hitler insistiu em seguir.