domingo, 22 de março de 2026

As Leis da dialética

 

Como eu tenho feito sempre a crítica destas leis da dialética eu preciso mostrar mais profundamente porque elas são contraditórias ao movimento. Naturalmene , quando Hegel se refere às leis da dialética, está se referindo ao processo (dialético) de conhecimento, o como se dá o conhecimento.

Toda Lei é uma relação essencial entre fenômenos. Uma relação que permanece em determinadas condições. É bom relembrar a definição de Monstequieu, logo no inicio do “ Espirito das Leis”: a lei expressa uma constante e necessária relação do real.

Portanto a Lei dialética deve obedecer a esta definição. Mas aqui surge um problema comum aí nas questões da lógica e dialética: esta relação é subjetiva ou objetiva? A subjetividade expressa somente as relações do real dialético?

Se nós fizéssemos uma lei da identidade subjetiva nós teríamos que acompanhar o processo psicológico de sua formação, o seu processo histórico-natural, tema afeito à psicologia.

Contudo tanto existe a dialética subjetiva como a objetiva, pelo menos, neste último caso, como suposição .

Nós temos analisado a inexistência de uma dialética objetiva: a dialética é subjetiva, mas ela organiza o mundo, torna-o compreensível e lógico.

O conhecimento e a lógica não são psicologias: o trabalho da subjetividade é autônomo em relação à psicologia. Não é ela que dá o significado da lógica.

Na lógica formal, que não está superada necessariamente, se digo este “homem é branco” eu subordino este fato a uma relação singular(perceptivel)entre o homem (sujeito) e a cor, que é um fenômeno geral. É formal porque não expressa o real como um todo, coisa que a lógica formal consegue. Ela pode dizer: “todo homem é racional; ernesto é homem, logo é racional”(silogismo). Um principio geral subordina o singular, que só é perceptível pela sensibilidade.( o singular é nomeado pelo sujeito, depois de observado{diria Heidegger; “este ernesto que eu vejo,(visar{Hegel}})

Então a identidade formal, A=A, homem= racional é esta que ,como vimos no primeiro exemplo, pode não expressar um real como um todo, coisa que é a dialética que intenta fazer.

Esboço de uma periodização da Revolução Russa

 

Quero fazer artigos sobre a periodização da revolução. A periodização das revoluções(como a da História) é importante para estabelecer o significado de suas fases e sua influência sobre a história subsequente.

Na Revolução Francesa a delimitação do terror com uma sua fase e da Reação Termidoriana, tem consequencias teóricas fundamentais.

Este último periodo antes de Napoleão se tornou um conceito de ciência politica, estudado até hoje. A questão do terror também.

O mesmo acontece com as revoluções inglesas: o “longo parlamento”, o periodo de ditadura, sob Oliver Cromwell, a guerra civil, enfim fases que determinam o conhecimento verdadeiro do processo revolucionário e histórico.

Assim é também com a Revolução Russa, òbviamente. E apesar dela ter acabado, em termos politicos, com o fim da URSS, continua tendo uma influência histórica( e politica em certos circulos).

Por intermédio de Trotsky e por comparação com a Revolução Francesa, este autor definiu o tempo de ascensão e fixação de Stalin e o stalinismo como “ reação termidoriana”, “ nosso termidor”.

Mas depois? E antes? Cabe-nos definir o começo da Revolução Russa, na primeira em 1905? A preparação , em meio à 1a guerra, faz parte da Revolução de 17?

Em principio nós entendemos que a Revolução começa em 1917. de 1917 até 1918 , dá-se a superação dos partidos burgueses na Assembléia Constituinte; de 1918 a 1920 os partidos de esquerda são suprimidos e se inicia a construção do regime de partido único e da URSS; após isto e a morte de Lênin, a ascensão de Stalin, até 1928 e após a sua consolidação como stalinismo até 1932. E depois?

Este é o primeiro esboço da Revolução Russa. Nos próximos artigos aprofundarei.

terça-feira, 17 de março de 2026

Coletivo é enganação

 

O coletivo e o coletivismo acima de tudo, é uma forçação de um determinado centro sobre o conjunto do povo. É mentira que a igualação pura e simples das pessoas garante a liberdade.

Em contextos especificos ,em que uma exigência objetiva(necessidades econômicas) organiza uma família pode dar certo, mas isto se os pais são capazes.

Havendo igualação pura e simples “nasce” obrigatoriamente um centro que organiza este “resto” autoritariamente , já que não tem condições, a partir da referida igualação, de reconhecer a complexidade da sociedade.

O coletivismo é , seguindo a teoria das degenerações de Aristóteles, uma necrose da república, Forma de Estado.

O marquês de Sade já tinha previsto que a república ia tomar para si funções que não são originalmente dela. Em essência o mundo privado sucumbiria ao mundo público.

O republicanismo moderno, como em outras épocas, sempre significou uniformizar um comportamento.

Isto acontece porque nunca se entendeu, pelo menos de inicio, que a república não é sozinha: ela precisa do estado de direito, da democracia e do mundo privado, como seus limitadores(principalmente o último), para não degenerar.

Pela república todos são iguais perante a lei, mas não são iguais no mundo privado e a democracia tem que reconhecer esta desigualação.

Certo , é possível pensar que o coletivismo vem do socialismo, mas o socialismo é republicano. Ele se refere( o socialismo) à pura igualação entre as pessoas , que já é um conceito republicano, por oposição às monarquias , que impõem a vassalagem e torna as pessoas súditas de uma pessoa só.

É neste contexto todo que a República aparece para mim como a origem de todo coletivismo, não só o socialismo. É mais um problema do igualitarismo, que entendo ser a razão de ser de muitas distorções do último século.

Assim como o Marquês de Sade antecipou os cadáveres dos campos de exterminio, nos “120 dias de Sodoma” , previu a diluição do individuo em “ Escola de Libertinagem”.

domingo, 15 de março de 2026

O crime e a revolução

 

Ao assistir o famoso filme “Lawrence da Arábia” houve um momento em que fui tomado pela necessidade de refletir sobre um tema muito importante na história das revoluções: a questão ética da participação do criminoso.

Hoje em dia existe muita confusão nisto aí. A esquerda atual confunde o ativista e o oprimido com o criminoso, mas isto não é de agora.

Na atividade politica revolucionária a aceitação de métodos criminosos e do próprio criminoso não é incomum.

Em experiências revolucionárias diversas o problema aparece lá: as figuras de Pancho Villa e Emiliano Zapatta são confundidos com criminosos.

E na China , Mao- tsé- tung, preconizou um certo despojamento quanto a este problema. Chegou a um ponto em que para ele bastava que a pessoa pudesse trabalhar para a revolução, sem perguntar se esta pessoa era boa ou ruim.

Mas tanto no périplo de Lawrence como no México a participação do crime visa a deslegitimar a revolução ou qualquer outro processo politico justo.

Se relacionar com criminosos, numa relação de obediência cega, como ocorre no filme de David Lean, deslegitimou a independência árabe, colocando-a sob suspeição, o que teve reflexo positivo depois para os colonizadores anglo-franceses.

No caso especifico do México, a mesma coisa: os revolucionários são criminosos, ladrões de cavalo e invasores de propriedade.

Certamente houve casos deste tipo nestes movimentos. É quase impossivel evitar, só se se fizer uma escola ética para a revolução, mas geralmente não se tem tempo para isto não.

A coluna Prestes no Brasil recentemente foi criticada por permitir estupros e roubos nas casas dos camponeses, nas pequenas cidades aí pelo interior do país.

Mas é como eu digo, embora seja dificil evitar, em nome da honra do processo de rebelião, é preciso. O mais legitimo e justo que este movimento for, mais razão ele terá para vencer e portanto crime e revolução não combinam.

sexta-feira, 13 de março de 2026

As utopias e a humanidade

 

Deste modo ,ainda que as utopias sejam endereçadas à humanidade, todo mundo tem uma concepção de humanidade, que exclui uma parte.

O marxismo se refere à classe operária, como a única capaz de acabar com todas as classes. Em principio esta “ superação” se dá pelo trabalho, mas se tornou politicamente e revolucionariamente uma supressão física.

Como construir o bem da humanidade, espelhando sangue pela terra? Isto não seria desumano? O desumano tem condições de criar o humano?

Se nós analisarmos o humanismo, como defesa de sua continuidade, matar uma parte dela não seria pô-la em risco?

Existe, pois , um traço entre o mal, o bem e a humanidade. Todos os cataclismos que vimos no século XX são baseados no fato de que matar uma parte da humanidade é legitimo, se a maioria, eventualmente prejudicada, oprimida ou explorada, se beneficia.

Todos raciocinam assim e reconheço que politica e historicamente isto tem uma razão de ser. Nunca fui santo de acreditar numa paz pura e absoluta, que nem sempre as pessoas de bem têm como garantir. O direito de defesa implica eventualmente(mas não raramente)em atingir os outros.

Contudo, se for possível evitar, eu prefiro, porque se o processo de transição for tranquilo e consensual as chances de retornar ao status quo ante são menores, porque não haverá ressentimento, ódio acumulado, recalque.

O processo de construção segue em frente sem problemas.

Histórica e politicamente, no entanto, há sempre reação e esta precisa ser levada em consideração.

No plano , no entanto, dos conceitos, dos valores, admitir que o outro não pertença à humanidade ou deva se associar a uma parte dela para ser humana, como se ser humano é algo concedido por alguém, me parece filosoficamente estranho.

A condição de humanidade não é dada a Hitler , no momento em que ele nasce?



quinta-feira, 12 de março de 2026

As liberdades “ burguesas”

 

O meu posicionamento a respeito da utopia sempre gerou agressões e cancelamentos por parte dos radicais, com os quais convivi parte da vida.

O esqueminha clássico marxista(até certo ponto é verdade)está na cabeça(dura)deles até hoje e qualquer atitude diferente é tida como traição, revisionismo, etc.

Mas como dizia Carlos Nelson Coutinho, revisionistas somos todos. Na ciência e no conhecimento, quero dizer, na sua produção, não há lugar para dogma definitivo.

O marxismo de Marx se tornou, como disse Marcuse, um dogma , cuja contestação pode significar prisão , tortura e morte, o que não tem sentido, se se pensa no bem-estar da humanidade.

Em última instância ,na cabeça (dura) destes radicais está sempre aquele modelinho emocional: os oprimidos se vingarão de seus exploradores, com sangue e ferro, custe o que custar, destruindo o velho mundo e fazendo um novo, perfeito e justo.

A história mostrou que a luta por uma utopia final não se faz assim, principalmente depois de tantas violências. Capitalizar o desespero dos oprimidos(que os há certamente) e fazê-los derramar sangue pela Terra, provou que a pura necessidade de vingança não vai resultar em nada.

Mas o importante para o radical, mais do que a solução do problema social, é ver a buguesia em postes , enforcada, bem como os inimigos exploradores, coisa que nem sempre a esquerda radical sabe identificar e por isto atiram a esmo.

Algumas construções do capitalismo(e da burguesia) , que fugiram a Marx, como as liberdades burguesas, a ciência , os direitos de cidadania, devem permanecer no futuro, assim como a capacidade produtiva exponencial deste modo-de-produção, que era a única coisa que Marx via de positivo no regime.

E dentro da sua dialética negativa, a burguesia e o capitalismo, cavavam o seu próprio túmulo com esta capacidade produtiva. Também os direitos civis, o estado de direito, os direitos humanos, a ciência, cavam o tumulo do capitalismo e é por eles, principalmente pela democracia e pelo direito ,que se pode barrar o regime e subsituí-lo por outro.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O humanismo

 

Todo mundo procura definir o humanismo e alguns negam a sua existência e mesmo sua necessidade. O humanismo é uma abstração, é verdade, mas é um ideal utópico e se pode estabelecer alguns critérios de sua realização.

A defesa da humanidade, de sua vida, de sua permanência, é um começo promissor. Mas certamente nós temos problemas para definir um humanismo levando em conta que a humanidade não tem sempre e mais certamente nunca pessoas humanas, no sentido desta defesa.

Ao longo da História nós vemos violências intestinas na humanidade, a por em xeque este projeto. Foucault mesmo, em função dos grandes cataclismos do século XX, chegou a dizer “ o homem morreu” e esta frase tem tudo para ser uma vaticinio definitivo sobre a humanidade: talvez ela não tenha jeito e nós havemos de considerar esta possibilidade.

Este artigo é uma persistência quanto a esta utopia. Nós somos de uma época, diferente do passado, em que se projeta um futuro da humanidade. A utopia não acabou.

As propostas de utopia nunca são para a humanidade toda. Elas sempre se constróem a partir da negação de uma parte da humanidade: a “ utopia” dos nazistas consagrava o direito só da raça branca; a utopia marxista, só dos trabalhadores.

Na base dos cataclismos citados esão estas ideias. Uma revolução comunista não é para todo mundo, muito menos, claro, a dos nazistas. No meio disto inúmeras pessoas inocentes perderam a vida, sem até entender porquê.

Propor um caminho geral , da paz para a paz, que evite estas limitações das utopias recentes, é um objetivo de minha vida, agora, chegando ao final.

Não aceito de forma alguma a naturalidade dos crimes de Stalin, Hitler e do sistema social em que nós vivemos e intento discutir uma utopia que possa se erguer numa base construtiva e não destrutiva.

O critério não é destruir para construir algo em cima, mas resolver os problemas do presente e construir o futuro.