terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As Batalhas Mais importantes da História




Série Militar:
As Batalhas mais importantes

Considero que as Guerras Médicas ,dos gregos contra os persas,a Batalha de Poitiers,opondo Carlos Martel aos muçulmanos e a Batalha de Stalingrado,como as mais importantes da história,porque delas dependeu a existência do Ocidente ou do modo como ele existiria.neste sentido devo acrescentar de certo modo as Batalha de Issus que deu fim à dinastia dos persas,vencida por  Alexandre,o Grande,mas eu a incluo no contexto  das Guerras médicas.
Alexandre,o Grande só tem importância na medida em que ele preservou o Ocidente .Falarei depois sobre isso.
Depois temos  a batalha de Poitiers e mais recentemente a Batalha de Stalingrado.
E u fiz estas escolhas porque o resultado destas batalhas modificaria a História inteiramente.Vamos a elas


As  Guerras médicas
Naturalmente aqui eu não vou tratar especificamente de todas ,mas somente daquelas cujo resultado final garantiu a  permanência  do legado grego e  por via  de conseqüência  do Ocidente.
Neste sentido as batalhas da Segunda Guerra Médica,Salamina e Platéias são as mais importantes,porque sacramentam a vitória “ definitiva” dos gregos.é preciso lembrar que antes das guerras médicas os persas já eram um perigo para os gregos,que tentaram destruí-los através de uma expedição desastrada a que eu já me referi em outro artigo,liderada pelo futuro comediógrafo Xenofonte ,que a relatou na famosa  anábasis.
Os gregos venceram a  primeira guerra médica na Batalha de Maratona,mas dez anos depois os Persas voltaram e foram derrotados novamente nas batalhas citadas acima.
Coma hegemonia de Atenas houve uma guerra civil interna que enfraqueceu os gregos.Os persas sonharam de novo coma  dominação e  como os gregos  estavam enfraquecidos surgiu uma grande  discussão  entre eles para saber se era melhor  fazer uma aliança com os macedônios,aliança que significaria  a perda da liberdade.
Com a  aliança se realizou o papel final dos macedônios e mais especificamente Alexandre foi ter acabado de vez com esta ameaça vinda do Oriente e nós vamos analisar como isto se deu.


Assim como não existe Stalingrado sem antes as batalhas na Criméia e depois a batalha de Kursk,as últimas batalhas da segunda guerra médica ,Salamina,Platéias e Micala são um conjunto que define o salvamento da Grécia  e do Ocidente.
A batalha de Salamina foi aquela vencida pela decisão de Temístocles de enfrentar os persas no mar.
As Batalhas de Platéias e Micale foram  travadas no mesmo dia.

Mapa de Platéias


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O transvalorador de valores



O ideal  ascético demonstra como pode  agir o transvalorador de valores.Uma coisa  é a unidade da experiência,outra é o manejo dos valores.Não tem sentido estabelecer como critério absoluto a compaixão,porque isto igualaria a todos,uma falácia  cristã,que serve a propósitos de manipulação.As pessoas não são iguais.Ás vezes  a  diferença favorece um em detrimento do outro,mas não necessariamente se  deve sentir culpa,mas exercer a  sua boa  consciência(=sem culpa).No entanto, uma coisa  é o critério social,outra a natureza  legítima desta desigualdade.
Mais uma vez eu digo ,é impossível associá-lo ao marxismo,porque este deslegitima a aristocracia como classe exploradora,enquanto Nietszche sim.Nietszche usa as virtudes  nobres para  autenticar estas virtudes que podem ser do cidadão comum,obtidas pelo esforço,embora nascidas de dons eventualmente,mas acaba fazendo também com a classe.Contudo são dois planos diferentes:uma coisa é a classe objetivamente considerada outra são os valores.Para o marxismo esta separação não é possível,muito embora na arte ,Marx tenha reconhecido valores humanos na obra de aristocratas como Goethe.Na verdade nunca Marx fez uma transposição da objetividade em termos reflexológicos.O individuo aristocrata pode  ser salvo,mas a classe não.
Não há porque opor Goethe ao homem  comum,ou um destacado como Rivelino à massa.Quer dizer,uma  coisa é  sentir  culpa por ser destacado    ,outra é  valorizar as suas aptidões sem culpa.
Na critica do ideal ascético  Nietszche  relacionou as virtudes da boa consciência  à aristocracia ,que,por isso não deveria possuir culpa(má consciência )de sua condição.
Do cotejo entre os dois pensadores se observa que só há uma forma de encontrar uma legitimidade para o ideal aristocrático :o plano da cultura e dos valores que a ela se associam ,pois só assim se encontra um traço de humanidade,algo de humano e comum com as outras classes.O que caracteriza este traço é o individualismo legitimo ,a distinção de um individuo que  se expressa em função de seus próprios valores.O fato de  ele ser considerado
 melhor é uma convenção manipulatória e Nietszche parece aceitar este conceito(o melhor,o superior) para depois falar nos escravos.O cristianismo defende que o escravo aceite a sua condição,mas o escravo quando se rebela não é um aristocrata?Nietszche  não disse que os judeus deviam se rebelar?(uma lembrança que os seus defensores  usam para separá-lo do nazismo).Quando Nietszche fala nos falhados ele parece defender um modelo moral que opõe o nobre ao rebanho enveredando por um caminho criticável ,criticável e moralista(também).



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Compaixão III



Série:Filosofia.

Kant e Nietszche  de  novo:
Por mais que Nietzsche queira  se distanciar de  toda a metafísica,de todo o modelo metafísico que se impõe,a  leitura que ele faz de Kant é  de modo a ressaltar o seu projeto(de Kant)de recuperar a Metafísica.Nietzsche o acusa  de estéril,como toda a metafísica,mas a  liberação do Sujeito e  da linguagem do objeto,como decorrência do pensamento de  Kant é essencial para a atividade ,inclusive na linguagem,extremamente radical de Nietszche.Este último jamais poderia construir um tipo de linguagem não explicativa,muito característica dos seus livros,a  famosa “ prosa  dançarina”,se não fosse  a  revolução copernicana em filosofia  operada por Kant.
No livro do “ Filósofo” ,de Nietszche ,ele faz  reflexões  sobre  o porquê  desta atitude quanto à  sua linguagem mais narrativa do que  explicativa,mais afeita ao mito do que à  ciência,mostrando aquilo que é lógico em todo o seu intento filosófico.
O modo  de  explanação de  Nietsche tem a ver com a narrativa picaresca,a  novela espanhola do século XVI,com Dom Quixote,mas eu diria  que o relato de aventuras,de biografias antigas,que vem desde a Idade Média até ao nascimento do romance moderno,serve de base à  linguagem de Nietzsche.
Aqueles que lêem ,por exemplo,os  “ Fioretti” de São Francisco de Assis(as “ Florezinhas”),vê  no inicio dos  capítulos:”De como São Francisco foi à  floresta e recebeu os estigmas de Deus” ou”De como ficou nu diante  da Igreja de Assis”.
Para Nietzsche esta é a base de uma narrativa que ,antes de explicar algo ou uma pessoa,segue-lhe os passos próprios,originais,sem referência a outra coisa  que a ela mesmo.Não poderia  ser diferente.A perspectiva determina a  linguagem narrativa, não o debruçar-se  sobre o objeto.
Valorizar as narrativas significa por abaixo toda objetalização,toda modelação de  fora para dentro ,que toda a metafísica(e  a ciência  ,que é o seu deus)opera.
Esta  é uma tendência do final do século XIX,dir-se-ia(contra Nietzsche)humanizadora,das ciências sociais e  que encontrou no século XX,na  antropologia em geral,eco,na medida em que,em vez  da explicação científica,temos a narrativa de costumes  e ações,como forma  de não só mostrar uma realidade social,as causas dos seus problemas,mas o seu sentido,ou possibilidade de sentido.
Esta narrativa expressa aquele que tem o sentido real da  vida,gratuita,sem uma preocupação com o sofrimento.Nós voltamos aqui ao tema do nosso artigo:o sofrimento de  cristo e  a indiferença do ser humano gera uma culpa,a  qual  deve ser  a base do compassivo,que  deve sofrer para purgar esta  culpa e ganhar a redenção numa salvação sempiterna.Em vez  de um caráter nobre que coma  sua narrativa vive a vida,temos  alguém que só vive  no meio d e outros,porque associado á compaixão geral como exigência  moral de  conduta.
Não vou tratar aqui do ideal ascético,mas a  questão toda é que a  compaixão gera,cimenta o ressentimento,como projeto de vida.Criou-se  a partir do cristianismo(que tem uma origem em Platão)uma ética do fraco,que é aquele que não consegue  viver sem esta justificação(o sofrimento)e  sem atribuir  ao caráter  nobre a  culpa deste esquecimento.
Este nobre   recusa  o conselho de  São Paulo aos coríntios em que este os acusa de viverem a vida sem se lembrar do sofrimento de Cristo na cruz.É o famoso “ comamos e bebamos que amanhã morreremos”.
Contudo sempre  me foi impossível de  aceitar as relações  entre Nietzsche  e Marx neste aspecto.
Niestzche  e Marx
Na  década de sessenta  do século XX surgiu,no mundo todo  uma relação que eu considero esdrúxula entre este pensamento e  Marx.Este último nunca abandonou as suas afirmações  sobre o  caráter compensatório da religião que  expôs na Filosofia do Direito.O que ele mudou(talvez)tenha sido uma  visão mais leniente que ele tinha quando jovem.Na maturidade colocou claramente ,como condição da libertação(coletiva) da humanidade,a  supressão da  religião,mas não há prova de  que tenha  defendido matanças ou agressão,antes pelo contrário,afirmando o papel decisivo da educação.
E mais do que isto,se o ideal de liberdade não é individual,não há porque no processo de consciência(coletiva) desta necessidade não se  incluir (na abnegação revolucionária  pelo outro)um elemento de compaixão ou  reconhecimento do sofrimento como legitimador da revolta.
O que não se  pode extrair  de Marx é  o sofrimento como finalidade.E também não há como associar a figura do revolucionário a este nobre acima dos outros,de Nietzsche.
De tudo o que eu disse fica claro que  a  autenticidade da vida não se pode  fundar no caráter “nobre” daquele que vive sem pensar no sofrimento.E é legítimo abrir mão de paixões  alegres em nome desta compaixão ,que funda todo o solidarismo.Logo ,com culpa ou sem culpa,diante da cruz , a existência autêntica  se mobiliza também.Não há como não se  associar Nietszche  aos descalabros terríveis que aconteceram no seu país tempos depois.
Porque por mais acima deste sofrimento mundano,o caráter nobre é tocado pela  experiência do passado e do presente e  quando a nega comete crimes.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Compaixão II



A grande problemática derivativa destes  pródromos é que tudo é  construído,não havendo nenhuma referência  absoluta  e  imóvel para  dar segurança  à ação humana.E tudo o que é construído,quiçá  transcendente, o é como mudança.Mesmo Nietszche ,com a  sua filosofia,tentou diluir o modelo metafísico  e criar outro,mas ele  também acaba sendo   tomado pela  voragem do tempo,da mudança,ainda que no seu perspectivismo a mudança seja admitida ,seja parte.
Na  verdade  tanto Nietszche  como Wagner queriam uma ruptura com o passado.Queriam criar um modelo de comportamento que libertasse os homens da terrível herança que  as gerações  passadas deixam para os pósteros,os quais não pedem para nascer.
Mas esta ruptura se  dá no nível psicológico e não no plano da  experiência humana,mesmo com os órfãos.
O século XIX,como resultado da sua  própria  auto-fundamentação,uma herança da revolução francesa  que se refletiu na filosofia,  colocou este problema o tempo todo.Não foi Marx quem afirmou:” cada vez  a  experiência das gerações  passadas oprime  como um pesadelo o cérebro dos vivos” e  Comte:” cada vez  mais  os vivos  são governados  pelos mortos”.?
Parecia  que esta revolução na auto-consciência eliminaria este problema,mas não o faz  exatamente por inexistir a possibilidade de ruptura real.A ruptura é algo construído também,mas nesta construção há que haver um elemento real legitimador  desta superação do passado.
Se nós  ouvirmos  o “ Anel  dos Nibelungos de  Wagner”,o herói Siegfried tem tudo para fazer esta ruptura na medida em que ele não tem laços com o passado.Mas que laços?O que está embutido nesta separação proposta?É que ele é  fruto de um incesto e não deve sentir nenhuma culpa por isso,já que não teve nada a ver com esta transgressão que não pode  grudar   nele.
O desfecho do ciclo indica que a incompreensão do herói o faz  perder esta oportunidade e  quando o anel cai no leito do rio Reno ,é como um chamamento às novas gerações  para não cometer este erro fatal.
Todo mundo sabe o quanto isto influenciou a atividade política de Hitler e  dos nazistas.A ausência de culpa marca ,para este movimento,a separação.Quer dizer  não ter ligações  com este passado,às vezes ignominioso,possibilita agir com liberdade absoluta e isto é  a base das realizações.Até Wagner se converter ao cristianismo,Niestzche e ele “ comungavam”(que palavra) desta idéia.
Todo o pensamento rupturista,qualquer que seja  ele,encontra  sempre um elemento,uma mediação definidora.
Para  os nazistas a ausência  de culpa.Para o stalinismo,os  crimes  do passado seriam esquecíveis  diante dos êxitos  futuros.Stalin tinha como sua frase política preferida o “ em política é melhor  olhar para frente”.
Mas e  aqueles que  não vêem esta ruptura?Que  tipo de  ruptura psicológica mantém  um critério de  relacionamento que permita ver o outro,ainda que o outro seja o mal?
Ora,  tanto na ruptura quanto na  não-ruptura o que há de fato é  uma  vivência,um sentido,que se modifica,que se cria,conscientemente ou não.O que se pode  e deve analisar é se existe uma referência para se julgar esta mudança ,este novo sentido que aparece.
Nos grandes  crimes  cometidos  no século XIX ,o fato de  o passado não estar mais entre nós foi usado como leniência  diante de suas conseqüências e  no fundo os  grandes criminosos achavam que o esquecimento diante de um presente melhor,os  absolveria.
O fim dos judeus garantiria  condições  de sobrevivência aos alemães e  a matança dos opositores  no totalitarismo stalinista teria  a mesma conseqüência,ou seja,nenhuma.
Mas isto é assim mesmo?Os pósteros não são tocados pelos crimes  dos seus  antecessores?
Nietszche afirmava” Há homens que nascem póstumos”,pois eles  são mais do futuro do que do presente,porque não têm ligação com este último.Isto é prova de  vitalidade?De potência?Ou fundamenta um descompromisso perigoso(no mínimo)?