terça-feira, 14 de abril de 2026

Um insight filosófico interdisciplinar Hegel e Sto Agostinho

 

Lendo sto Agostinho enquanto trabalho com Hegel, percebi a possibilidade de uma conexão interdisciplinar na História da filosofia e na relação entre estes dois autores.

Sto Agostinho distingue o movimento do tempo:

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O tempo não é o movimento dos corpos

31. Se alguém me disser que o tempo é o movimento dum corpo, mandar-me-eis estar de acordo? Não mandareis. Ouço dizer que os corpos só se podem mover no tempo. Vós mesmo o afirmais. Mas não ouço dizer que o tempo é esse movimento dos corpos. Não o dizeis. Quando um corpo se move, é com o tempo que meço a duração desse movimento, desde que começou até acabar. Se o não vi principiar a mover-se e persevera de modo a não poder notar quando termina, só me é permitido medir a duração do movimento desde o instante em que comecei a vê-lo até que o deixei de ver. Se o presencio por longo espaço, não posso dizer quanto tempo demorou, mas somente que demorou muito tempo, porque o "quanto" só por comparação o podemos avaliar. Dizemos, por exemplo, que "isto durou tanto quanto aquilo", que "isto durou o dobro daquilo" e de modo semelhante, nos outros casos. Se pudermos observar de que lado vem o corpo que se move e para onde vai, ou se as suas partes se movem como um torno, poderemos dizer quanto tempo durou de um lugar a outro o movimento deste corpo ou das partes.

Portanto, sendo diferentes o movimento do corpo e a medida da duração do movimento, quem não vê qual destas duas coisas se deve chamar de tempo? Num corpo que umas vezes se move com diferente velocidade e outras vezes está parado, medimos não somente o seu movimento mas também o tempo que está parado. Dizemos: "Esteve tanto tempo parado como a andar", ou "esteve parado o dobro ou o triplo do tempo em que esteve em movimento", e assim por diante. Ainda no cálculo exato ou aproximativo, costuma dizer-se "mais" e "menos".

Portanto, o tempo não é o movimento dos corpos.”

Como vemos, só se mede o movimento dos corpos de um momento que se escolhe até outro que acaba com o movimento do corpo. Existe uma adequação entre este corpo que se movimenta e a medida do tempo? Mede-se o tempo pelo movimento do corpo, mas um corpo que está permanentemente em movimento, eu só posso medir o tempo, a partir do momento em que o vejo e quando deixo de vê-lo.

Da mesma forma só podemos comparar um corpo com outro: aquele corpo se movimenta duas vezes mais rápido do que outro.

E finalmente mesmo naquilo que está parado, nós podemos identificar o tempo em que o corpo ficou parado.

Há uma identificação eventual do movimento com o tempo, mas de modo geral o tempo é diferente do corpo.

Para Hegel há uma unificação disto aí porque o tempo é o conceito do movimento. A constituição do tempo se dá na constituição do espaço, onde está o corpo, e vice-versa, numa dialética permanente do Ser.

Numa dialética constante do finito e do infinito. O infinito se nega no finito e vice-versa. E o movimento é a base da elaboração do tempo.

Sto Agostinho parece mais aproximado da verdade, porque o tempo só o é na medida em que observamos as coisas, o Ser, enquanto que em Hegel há uma unidade dialética objetiva , que se movimenta e cuja apreensão do movimento gera o tempo.

Nós veremos no próximo artigo as consequencas disto para os termos passado, presente e futuro.



sábado, 11 de abril de 2026

A identidade concreta do e no movimento II

 

Então a unidade das partes contraditórias que tendem para o uno num todo, é a parte fundamental da dialética(científica[hegeliana]).

A identidade dialética é concreta porque movimento.

Em Aristóteles e na metafísica(no eleatismo) a identidade é abstrata: A=A. Eu devo lembrar ao leitor ,de novo, a minha posição sobre a dialética hegeliana entendida como ciência.

Estes textos que eu estou elaborando são para mostrar as incongruências deste pensamento cientifico\cientificista. Tantas vezes eu já não afirmei com Sartre e Proudhon que a dialética é uma criação subjetiva e que os termos da dialéticas não são uma coisa e outra ao mesmo tempo.

Quando Hegel fala em positivo e negativo não tem como negar que apesar de fisica entender que uma coisa se transformar em outra isto só acontece porque elas são diferentes .

De uma certa forma a dialética pretensiosamente buscou superar a ontologia de Aristóteles, chamada de Metafísica, mas eu entendo que existe uma indentidade concreta formal . Ela é limitada mas não inexistente.

Quando eu digo: o ernesto maggiotto caxeiro, estou me referindo a uma identidade real e concreta, que se movimenta, mas que mantém, no tempo , uma certa durabilidade, uma certa extensão constante, que tem como ser identificada, formar padrões de reconhecimento.

A lógica formal aristotélica não é superada definitivamente, como quer o cientificismo, que decretou o fim da filosofia, logo depois da morte de Hegel e da cristalização do seu pensamento como o “ explicador” do movimento , problema que se buscava resolver desde o nascimento da ciência moderna e da filosofia moderna.

Portanto não é minha intenção repetir a pretensão do materialismo dialético, de substituir definitivamente a ontologia, o passado filosófico.

É neste sentido que a identidade abstrata não é vazia,mas possui um conteúdo concreto ,mas não no e com o movimento, mas formal. O reconhecimento de sua realidade objetiva abstrata não acaba com o sujeito, porque este é quem o reconhece, mas ele é parado, meramente constatativo do real.

A dialética fará o sujeito participar e produzir a si mesmo na relação com o objeto, mas na identidade abstrata o reconhecimento produz conhecimento ou possibilidade dele. E produ diferenciações também.