Os efeitos da “ dialética de direita” (que atingem também a esquerda), pelos menos os piores, são aqueles que criaram uma banalidade no processo d e mudança politica.
Hoje se admite que para se obter sucesso em determinados objetivos politicos e empreendimentos, é bastante razoável, aceitar
matanças, crueldades e violências.
Uma vez um ministro de Pinochet, Pinera ,disse que era aceitável atingir o crescimento à custa de algumas pessoas , do sofrimento de algumas pessoas.
Mas houve um momento em que o secretário geral do Partido Comunista Brasileiro, Giocondo Dias, perguntado sobre os problemas do socialismo real, inclusive violências, disse que os êxitos eram tão grandes que compensavam.
Isto é resultado das reflexões de Hegel sobre o terror na Revolução Francesa. Ele foi o único pensador que legitimou este periodo, como parte da História. Todos os outros afirmaram o fim da Revolução Francesa, dos seus ideais iniciais generosos.
É a alternativa do diabo. O diabo está presente no processo histórico como parte do aprendizado da humanidade: o terror cumpre o seu papel de “limpeza” do passado , o que é essencial para a construção do progresso. Stalin “ raciocinou” assim, dentro deste espirito hegeliano e de Jacob Boehme.
Pelo mal se constrói a história: é assim mesmo. Sem as violências do terror não era possível avançar alguns elementos históricos da sociedade burguesa e capitalista, que lutava para emergir da sociedade feudal, que ela estava procurando superar. O que interessa é isto, sem considerações éticas e vendo o diabo, o mal, como um elemento pedagógico de aprendizado da humanidade.
A humanidade teve 5000 anos de escravidão. Com o tempo ela vai notando as possibilidades que teria se não houvesse escravidão e começa a lutar para a superá-la. Sem,portanto, o mal, não haveria o bem. O bem não vale por si mesmo, mas depende do “grande separador”. O diabo adquire uma legitimação.
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