quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A diferença entre um pensador e um filósofo

 


Eu cheguei a esta distinção sozinho, não a ela própria, mas às suas caracteristicas. No entanto Heidegger já tinha analisado esta distinção numa palestra que concedeu.

Ele se refere à história da filosofia, quando ela surgiu, no texto: “que é isto a filosofia?” e num determinado momento ele diz que Heráclito e Parmênides não são ainda filósofos, mas pensadores , porque tratam do panta , de tudo, não necessariamente e somente da filosofia .

Mas isto me suscita uma pergunta ou várias, no estilo de Heidegger: será que há uma desconexão entre o pensamento e a filosofia ? Aristóteles , que já é um filósofo, não guarda algo deste pensar (quiçá profissional)? Aristóteles , como Hegel, e outros, não tem ainda este elemento não-filosófico quando trata do céu, dos meteoros, da física , da biologia?

E Hegel , através da dialética também não é do mesmo balaio? A dialética aborda igualmente tudo.

A definição de filosofia , por causa destas elucubrações, não há de ser aquela que vemos nos manuais de filosofia , filosofia do direito e outros que tais: a reflexão sobre todas coisas.

Tal definição se refere ao pensamento, mas este pensamento não é obrigatoriamente filosofia.

Contudo e eu peço a atenção aqui do leitor, a definição distintiva do pensador se refere ao fato de a filosofia ser puramente pensamental.

O que distingue uma coisa que por si mesma é distinta ,é uma palavra só: pensamento . Então algo anterior ao pensamento define a diferença entre o pensamento em geral e o filosófico (que é um pensamento em geral afinal).

Este algo geral é o posicionamento diante do mundo, da existência: se se posiciona diante de determinadas essências, substâncias,estamos no pensamento em geral sobre todas as coisas.

Se se posiciona diante do Ser , da existência, em geral , o pesamento é filosófico.

São duas instâncias genéricas, a das coisas e a do Ser. Não é um pensamento que define os modos do pensamento ,mas o posicionar-se do ente, aquele que se põe de uma maneira, diante da entidade, aquilo que seposicionou diante dele como algo.

Não há, pois, como conhecer o conhecimento, porque há um limite neste processo(que já não é processo):senão haveria uma infinidade de conhecimentos. Há um conhecimento das várias manifestações do real.



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