domingo, 27 de setembro de 2026

A odisseia

 

Depois de um tempão eu tive tempo de abordar o filme Odisséia. Logo no dia seguinte em que eu o assisti o professor Leandro Karnal apareceu aqui no meu youtube, sem falar diretamente comigo(estes professores todos são superiores a mim),para fazer algumas considerações.

A que mais me chamou a atenção foi que ele considerou racismo o fato de o diretor colocar uma negra como Helena de Troia.

Eu começo os meus comentários a partir daí: eu penso diferente do professor, que estava ontem no programa do Sergio Groissman, pelo fato de que a essência humana exposta no poema épico pertence a todos que o conhecem e o lêem.

Este filme é totalmente interpretativo e eu também não sou contra isto. Karnal explica o anacronismo e eu não vou reproduzir a sua fala aqui. Ressalto apenas que toda leitura de uma obra de arte, feita no passado, é sempre uma ancronismo, um visão do tempo presente sobre este passado.

Há um episódio no filme que não está na Odisséia e o seu final marca o caráter interpretativo da obra: Odisseus se exila para expiar a sua responsabilidade quanto à decisões que causaram a morte de seus companheiros.

Isto me chama a atenção porque o diretor criou uma situação, uma metáfora, que eu entendo ser muito elucidativa de nosso tempo e de nossas tarefas em relação ao finado século XX e ao passado em geral: nós vemos os crimes cometidos por Odisseus na cidade de Tróia. Até hoje eu não vira ninguém relativizar a característica heróica do personagem. Desta vez a sua condição humana ficou evidente, nas suas virtudes, mas também erros e ...crimes.

Nós vivemos numa época em que precisamos sair deste relativismo moral pelo qual nós aceitamos violências, vistas como legitimas por causa do lugar e do tempo.

Não se pode julgar Odisseus, porque era assim que funcionavam as coisas no seu tempo? Acaso a dor da vítima não é igual a uma vítima de hoje? Como não podemos julgar o passado? Devemos.

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