sexta-feira, 5 de maio de 2023

Materialismo de Marx

 

Está certo Marx em dizer que se não se tem capacidade produtiva para fazer uma mercadoria não é possível sustentar a economia,mas num momento seguinte nós temos que admitir,que a procura de um bem depende muito da escolha subjetiva do mercado e da sociedade.

Existem certos bens que são essenciais à sociedade:roupas,casa e comida,mas fora estes há uma pletora de bens que em si mesmo contêem as necessidades desejadas pelas pessoas.Mesmo os bens essenciais à vida sofrem mutações na sua forma e substância para atender a estes desejos psicológicos.

Por hora devo dizer ainda a respeito disto que:quando Marx prioriza o trabalho do operário industrial(o termo sociológico é este e não proletário),ele não está fazendo uma escolha(kantiana),porque na prática o encaixe entre a objetividade das necessidades essenciais e o desejo social,que priorizaria objetivamente o setor produtivo da sociedade(como está na contribuição)é obrigatório e não passivel de escolha.Não ,ele não faz uma escolha kantiana.Aliás aqui é o limite entre a axiologia e o materialismo em Marx.A classe operária é capaz de produzir os bens essencias à subsitência da sociedade.Isto fundamenta muitos cretinismos dos radicais de esquerda por aí que acham que o resto não é essencial.Eu vou tratar desta questão em outro texto.Bernstein se refere a isto no “ socialismo evolucionário”.


Aristóteles

 

Leitura de Aristóteles

Aristóteles é a base da filosofia até mais ou menos o nascimento das ciências particulares.Desde o inicio na metafísica ele faz uma união entre filosofia propriamente dita e o que viria a ser chamado de ciência,ciência particular.

Contudo neste artigo quero tratar de um problema que é comum aos dois lados,aos dois saberes:o movimento.

Aristóteles é herdeiro do eleatismo porque ele entende o movimento como algo dividido em momentos separados entre si,mas acrescenta formas de movimento como as próprias formas das coisas,o velamento do Ser e da Substância do Ser(onde está a essência)e a relação do ato e da potência.

Depois analisarei cada um destes conceitos.O que eu quero ressaltar é a questão da impossibilidade de unificar tanto o movimento como o tempo:várias noções e conceitos explicitam manifestações destas coisas e portanto associar o real como conceito uno com o tempo e o movimento,essenciais a este real, é impossivel e é aqui que vemos como apesar de tudo os filósofos são dependentes do conhecimento científico,das ciências particulares.

Até hoje não há como estabelecer uma unidade do Ser e talve nem mesmo as filosofias religiosas sempiternas consigam,havendo necessidade de uma desistência histórica quanto a isto.

Talvez este seja o próximo passo da filosofia.Nos EUA alguns professores de filosofia tentaram-no forçando o abandono definitivo da figura de Deus como parte do discurso explicativo.Não deu certo porque Deus subsiste como um simbolo,ainda que objetivamente e no trato das ciências desde D´Alembert não seja mais preciso.

Aí nós retornamos ao principio deste artigo,no que tange à confusão aristotélica entre filosofia e ciência:o principio discursivo ainda vale para a filosofia,mas para as ciências um principio,ainda que simbólico,não participa da explicação do mundo.

Então podemos dizer que o modelo aristotélico ,em uma de suas partes iniciais acabou e se esgotou.O movimento na e da filosofia é um,na ciência é outro.



terça-feira, 2 de maio de 2023

Marx e o Capital

 

Prefácio

Agora é o momento de fazer o trabalho essencial com o Capital.Este trabalho se refere aos meus comentários pessoais ,mas eu farei o mesmo usando ,já,os comentários de outros autores que eu separei em outros arquivos.

Aqui neste momento sou eu e a anotação que eu fiz nos remete a um problema muito sério que é o das definições em Marx e também o problema da relação da sua explicação sobre o valor.

Se o leitor observar as anotações feitas por mim vai analisar o seguinte: “força produtiva do trabalho”,o que é?Força produtiva do trabalho é a capacidade qualitativa de se produzir algo com menos esforço,por razões de tecnologia ou organização do trabalho(ou outra coisa nova).Pois,quanto maior a força produtiva de trabalho,menor o tempo de trabalho necessário,menor a massa de trabalho cristalizada no bem e menor o seu valor.

Quanto menor a capacidade produtiva(força),maior a quantidade de trabalho para produzi-lo e aí o valor do bem,a grandeza do s eu valor seria maior.

Dentro das premisas postas por mim neste trabalho,há que entender os termos usados por Marx para entender a mercadoria,especialmente a questão da grandeza:a grandeza do valor da mercadoria ,maior ou menor é medida por duas coisas,a capacidade produtiva do trabalho e o tempo necessário para a sua realização.É através destes dois elementos complexos que se pode medir a grandeza do valor da mercadoria.

Num segundo momento,eu aduzo algumas questões importantes ,pelo menos,para mim,desde que fiz as leituras prepatórias ao Capital,da Miséria da filosofia até à contribuição,passando por salário preço e lucro:o que sempre me colocou uma pulga atrás da orelha é a superficialidade da análise da dicotomia oferta e procura.

Nunca me enganei e não me engano hoje de que Marx aplica a dialética hegeliana fechada sobre a economia burguesa e que neste contexto sempre tendeu a ver a classe operária como fonte única da mais-valia,conforme está na contribuição.

Contudo,e isto aparece às vezes na polêmica com Proudhon,é lógico que o fator de procura subjetiva de uma mercadoria joga um peso na questão do valor.

Kant como ferramenta I

 

Prefácio

Este texto tem um significado decisivo em minha vida de pesquisador porque fixo as minhas concepções relativas à Kant,dentro da minha revisão do marxismo,a partir da II internacional, a qual relacionou Marx com Kant(contra a vontade dele provavelmente).

Todo mundo tenta suprir a falta de uma filosofia em Marx,trazendo um seu caderno de juventude sobre Espinoza,tentando usar o estruturalismo,como Althusser, e simplesmente deixando de lado esta questão.

Mas a verdade é que o único pensador que consegue isto é Kant,porque por ele se percebe o erro essencial de Marx e do marxismo: crença cientificista de que basta a ciência para compreender o real,decretando o fim da filosofia,como um saber metafísico ou mesmo sem fundamento.Isto está de acordo com o pensamento de Habermas em “para a reconstrução do materialismo histórico”,quando ele se refere ao cientificismo .

No lugar da filosofia,como disse Althusser,está(-ria) o materialismo dialético que seria a filosofia no seu sentido científico,uma ciência em si.

Neste passo,o marxismo é igual ao positivismo do século XIX,quando põe a filosofia sob leis do pensamento,o que a torna não uma filosofia propriamente, mas uma psicologia,perigo que o próprio Kant notara e evitara no seu tempo.

O materialismo dialético não é uma filosofia científica ou uma psicologia,mas uma tentativa de construir uma lógica sem fundamento,que se torna uma ideologia justificadora.Podemos também ,lembrando Hegel,dizer que ele é um pálido reflexo da dialética hegeliana como ciência da lógica.

Mas não existe dialética senão no pensamento,como Proudhon verificou pela primeira vez.A ideia de um materialismo dialético é totalmente ficcional e subsiste em grande parte por desconhecimento da própria filosofia e da precariedade da ciência natural no tempo de elaboração do marxismo.E por desconhecimento de alguns filósofos quanto às ciências naturais.

Porque quer queiramos ou não ,somos limitados pelas condicionantes de tempo e espaço.A liberdade de pensamento e de pesquisa pode diminuir isto aí,mas de modo geral,de um jeito ou de outro,um preconceito,um temperamento,uma disciplina acaba atrapalhando.

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Série traduções comentadas

 

amigos apresento o texto o que é dialética,de Popper,comentado.

O QUE É DIALÉTICA?

de Karl R. Popper[*]

Não afirmado há nada portão umabsurdo ou outroou filósofo. incrível que não tenha sido

Descartes

1. DIALÉTICA EXPLICADA

O lema acima pode ser generalizado. Aplica-se não apenas aos filósofos e à filosofia, mas em todo o reino do pensamento e empreendimento humano, à ciência, tecnologia, engenharia e política. De fato, a tendência de tentar qualquer coisa uma vez, sugerida pelo lema, pode ser discernida em um reino ainda mais amplo – na estupenda variedade de formas e aparências que são produzidas pela vida em nosso planeta.

Série Traduções comentadas

 Amigos,eu apresento uma outra faceta de meu trabalho,com traduções aos poucos comentadas.


INTRODUÇÃO:

O relato secreto da revelação que Jesus falou em conversa com Judas Iscariotes

Durante uma semana, três dias antes de celebrar a Páscoa.

O MINISTÉRIO TERRENO DE JESUS

Quando Jesus apareceu na terra, ele realizou milagres e grandes prodígios para a salvação da humanidade. E visto que alguns [andaram] no caminho da justiça, enquanto outros andaram em suas transgressões, os doze discípulos foram chamados.

Ele começou a falar com eles sobre os mistérios além-túmulo e o que ocorre no final. Muitas vezes ele não aparecia a seus discípulos como ele mesmo, mas era encontrado entre eles como criança.

sábado, 15 de abril de 2023

A crueldade fraternal


As imagens indignas

Este escaninho tem para mim ,acima de tudo,o significado de catarse quanto aos sofrimentos humanos,sempre causados pelo homem mesmo.Hoje tal é considerado ,no minimo,inutil,sem falar em demagogia e vitimização.Estes fenômenos existem e ainda é necessário pensar neles ou lembrar.

Tanto a esquerda como a direita criaram certezas absolutas e por isso,de um jeito ou de outro,denegam a importância desta lembrança,lembrando Nietszsche,que inquinava a esta atitude um propósito sádico de obter vantagem se solidarizando com o sofrimento do outro,sem estar sofrendo.

Diversas vezes eu disse que não basta crer que se tenha o caminho da utopia,porque enquanto ela não vem,o sofrimento permanece e aquele que milita tem que fazer como São Paulo em relação a Cristo:lembrar do sofrimento.

Mesmo depois da utopia será necessário pensar na limitação humana e nos riscos permanentes do caminho humano.

Estas certezas ideológicas criaram a banalidade do mal.Se a solução está dada não há porque mais pensar no sofrimento humano.

Ser pessimista é uma coisa,mas lembrar ds direitos da pessoa comum quanto à sua paz no cotidiano é da essência do revolucionário.Daquele que quer de fato mudar.

O personalismo dominante depois do stalinismo ,combinado com a certeza psicopática dos ortodoxos da esquerda igualou a revolução com a reação:chorar diante de uma pessoa que está na miséria e a aprofunda tendo que sair de seu barraco para viver sabe-se lá como ,na rua, é coisa de mole;se angustiar diante de pessoas que precisam sair de seu país em guerra,e coisa de fresco;pensar nas pessoas que vão sofrer uma tortura,uma injustiça,é coisa de cinico,que não luta por elas.

Acontece que nem sempre o cidadão comum tem como ajudar,senão se anulando,eventualmente.A luta revolucionária,mesmo ela ,não abarca todasa as pessoas.

Mas eu,que pago imposto,voto e trabalho,exijo da mediação politica,dos governantes que solucionem isto logo,o mais rápido.Como diz Caetano,porque eu quero.

Na intersecção entre o cristianismo e o comunismo,a lembrança deste sofrimento,como a lembrança do sofrimento de Cristo,separa o revolucionário totalitário do revolucionário consequente.