O meu posicionamento a respeito da utopia sempre gerou agressões e cancelamentos por parte dos radicais, com os quais convivi parte da vida.
O esqueminha clássico marxista(até certo ponto é verdade)está na cabeça(dura)deles até hoje e qualquer atitude diferente é tida como traição, revisionismo, etc.
Mas como dizia Carlos Nelson Coutinho, revisionistas somos todos. Na ciência e no conhecimento, quero dizer, na sua produção, não há lugar para dogma definitivo.
O marxismo de Marx se tornou, como disse Marcuse, um dogma , cuja contestação pode significar prisão , tortura e morte, o que não tem sentido, se se pensa no bem-estar da humanidade.
Em última instância ,na cabeça (dura) destes radicais está sempre aquele modelinho emocional: os oprimidos se vingarão de seus exploradores, com sangue e ferro, custe o que custar, destruindo o velho mundo e fazendo um novo, perfeito e justo.
A história mostrou que a luta por uma utopia final não se faz assim, principalmente depois de tantas violências. Capitalizar o desespero dos oprimidos(que os há certamente) e fazê-los derramar sangue pela Terra, provou que a pura necessidade de vingança não vai resultar em nada.
Mas o importante para o radical, mais do que a solução do problema social, é ver a buguesia em postes , enforcada, bem como os inimigos exploradores, coisa que nem sempre a esquerda radical sabe identificar e por isto atiram a esmo.
Algumas construções do capitalismo(e da burguesia) , que fugiram a Marx, como as liberdades burguesas, a ciência , os direitos de cidadania, devem permanecer no futuro, assim como a capacidade produtiva exponencial deste modo-de-produção, que era a única coisa que Marx via de positivo no regime.
E dentro da sua dialética negativa, a burguesia e o capitalismo, cavavam o seu próprio túmulo com esta capacidade produtiva. Também os direitos civis, o estado de direito, os direitos humanos, a ciência, cavam o tumulo do capitalismo e é por eles, principalmente pela democracia e pelo direito ,que se pode barrar o regime e subsituí-lo por outro.
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