Na medida em que o socialismo iguala as pessoas, passando por cima das condições da natureza, ele tembém cria situações de alienação.
O estado é em si, em qualquer época, alienante, porque ele é sempre ocupado com um grupo pequeno. Por mais que ele tenha afinidade com o povo este grupo acaba decidindo sem esta afinidade. Decide ee mesmo, segundo suas responsabilidades, que nem sempre se adequam ao que o restante quer.
Marx e Engels sempre afirmaram que não existia comunismo ou utopia sem o fim do estado. As duas realidades não são compatíveis. A humanidade tem que se governar a si mesma, nenhum grupo ficando acima dela.
Então o socialismo real não diverge desta norma de todos os estados passados e do estado burguês hodiernamente: um grupo controla a comunidade, segundo citérios supostamente coletivos, mas que na verdade não atendem à complexidade desta comunidade, formada por “ indivíduos concretos vivos”(Marx). Antes a suprimem.
A alienação , vista sempre como um fenômeno desumanizador burguês, está presente sim no socialismo e no socialismo real, porque o estado aqui tem o mesmo desenho do estado burguês, ainda que os compromissos sejam “ coletivos”.
O grupo social governado aliena a sua vontade(para usar os termos de Rousseau) a este grupo e fica pois alienado de si mesmo(em termos marxistas)porque não governa os seus interesses, as suas necessidades, por si mesmo.
Enquanto não há uma desalienação completa da sociedade, como um todo, o melhor é usar os termos social- democráticos e o estado previdenciário, para mitigar as consequencias deste processo, reconhecendo no bojo disto o papel da democracia e da cidadania, que, pele menos, garantem uma manifestação e visibilidade aos atores sociais, ainda que sob condições adversas(miséria, repressão) e é por este caminho de guermantes que se há de buscar a utopia e a desalienação final.
Nenhum comentário:
Postar um comentário