Deste modo ,ainda que as utopias sejam endereçadas à humanidade, todo mundo tem uma concepção de humanidade, que exclui uma parte.
O marxismo se refere à classe operária, como a única capaz de acabar com todas as classes. Em principio esta “ superação” se dá pelo trabalho, mas se tornou politicamente e revolucionariamente uma supressão física.
Como construir o bem da humanidade, espelhando sangue pela terra? Isto não seria desumano? O desumano tem condições de criar o humano?
Se nós analisarmos o humanismo, como defesa de sua continuidade, matar uma parte dela não seria pô-la em risco?
Existe, pois , um traço entre o mal, o bem e a humanidade. Todos os cataclismos que vimos no século XX são baseados no fato de que matar uma parte da humanidade é legitimo, se a maioria, eventualmente prejudicada, oprimida ou explorada, se beneficia.
Todos raciocinam assim e reconheço que politica e historicamente isto tem uma razão de ser. Nunca fui santo de acreditar numa paz pura e absoluta, que nem sempre as pessoas de bem têm como garantir. O direito de defesa implica eventualmente(mas não raramente)em atingir os outros.
Contudo, se for possível evitar, eu prefiro, porque se o processo de transição for tranquilo e consensual as chances de retornar ao status quo ante são menores, porque não haverá ressentimento, ódio acumulado, recalque.
O processo de construção segue em frente sem problemas.
Histórica e politicamente, no entanto, há sempre reação e esta precisa ser levada em consideração.
No plano , no entanto, dos conceitos, dos valores, admitir que o outro não pertença à humanidade ou deva se associar a uma parte dela para ser humana, como se ser humano é algo concedido por alguém, me parece filosoficamente estranho.
A condição de humanidade não é dada a Hitler , no momento em que ele nasce?
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