sábado, 6 de junho de 2026

A irracionalidade do real II

 

O marxismo parou em 1848, quando foi decretada a morte da filosofia e da religião. E rejeitou o que veio depois, como o demonstra o famoso livro de Luckacs “A destruição da Razão”.

Mas nem tudo o que foi criticado corrosivamente por ele é desimporatnte.

Um movimento geral de recuperação da filosofia, através da “filosofia da vida” e da religião aparece pondo em xeque as referidas decretações acima.

Nós trataremos neste artigo só da filosofia e do problema do irracionalismo.

O marxismo se pretende um substituto, ou melhor, um herdeiro do iluminismo , especialmente francês, calcado fortemente no hiperracionalismo científico e na sua responsabilidade ética de certeza.

Conforme eu venho dizendo várias vezes ,existem dois iluminismos, o francês e o alemão(aufklarung[esclarecimento]). O iluminismo francês, que muita gente ainda se acha herdeiro e faz disto uma vantagem, é repressivo em relação à religião e tem, como foi dito, uma certeza científica, uma confiança cega na ciência, que nós , nestes textos, já mostramos ser uma ilusão ideológica.

E Luckacs parte do pressuposto de que o socialismo é incriticável e perfeito, como a ciência, o que a história e a batalha das ideias provaram também ser uma ilusão e falsidade.

A certeza científica e a racionalidade sofreram uma crítica altamente qualificada e que revelou as suas inconsistências , derrubando também o responsabilismo cientificista que se lhe seguia o tempo todo.

Atuar contra a ciência e a certeza levou muita gente para a prisão,a a tortura e a morte nos países socialistas e especialmente na URSS.

Mas este quadro acabou. A admissão dos elementos de irracionalidade presentes na existência humana não tem mais o caráter de traição que teve um dia lamentavelmente. No próximo artigo tratarei disto.



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