segunda-feira, 15 de junho de 2026

Cientificidade em Hegel

 

Preciso esclarecer novamente o meu trabalho com Hegel. Estou em busca de mostrar como a ciência da lógica não é ciência. É mais um capitulo da minha crítica da dialética. Mas também é uma forma de revisitar o problema de como caracterizar a ciência, uma discussão interminável e sempre boa de se recolocar.

No passado, os critérios eram tão largos que qualquer inovação era tida como uma “nova ciência”, um novo modelo explicativo de uma parte da realidade.

A ciência se define assim , como tendo um objeto próprio de investigação, um objeto particular de investigação. Ela trata de um setor do real. Mas ela não está infensa a interpretações várias ao longo do tempo, bem como não está livre de mudanças ao longo deste tempo, ao longo da história.

E também há muitos mitos em torno da ciência: que ela é feita por um cientista só , solitário, que luta e consegue fazer descobertas; que ela é constituida de leis rígidas imutáveis; que uma teoria é eterna.

Tudo isto ruiu com o referido tempo. Galileu não criou a física: ele matematizou a mecânica clássica.

Galileu não fez tudo sozinho, mas junto com uma geração de cientistas menos conhecidos.

Não é verdade que, em principio, uma teoria é eterna como disse Einstein a respeito de sua mais famosa.

E no caso especifico de uma ciência social avulta em importância a afirmação de Miguel Reale pai dando conta de que o direito é uma ciência porque trata da norma juridica, com suas características próprias. Mas esta se modifica de novo ao longo do tempo e sofre muitas interpretações para ser considerada um objeto de ciência. Farei uma análise disto depois.

Só considero como ciência a sociologia porque ela trata de algo real a “troca simbólica” coisa que existe transcendendo o tempo, o referido tempo. Em todo o tempo histórico é possível fazer estudos com este critério objetivo\subjetivo, mas permanente e até estatísticas.

No caso da dialética de Hegel,a ciência da lógica, não há este nucleo permanente, a contradição, como algo objetivo. A subjetividade dialética consagra que uma coisa é ela e o seu outro de contraditório. Por exemplo: “o professor ensina mas também aprende e vice versa”(Rousseau). Contudo esta contradição está no meio de muitas, que sofrem modificações, se movimentam e não é uma explicação, mas uma construção cultural e interpretativa, o que faz da dialética um método, não uma ciência, um modelo de compreensão.

E no exemplo acima há uma hierarquia axiológica entre os alunos e o professor, coisa que confrma o que dissemos acima a respeito de método: a dialética ajuda ao ser, mas não é ele. O Ser é muitas coisas, inclusive contradição.



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