A dialética, que aparece como explicação do movimento, iguala,para tanto, o bem e o mal, deus e o diabo. Há nas afirmações de Boehme um insight axiológico: o mal induz o homem a procurar o bem, mas esta decisão é axiológica, valorativa.
Em toda axiologia está, no entanto, algo de imóvel, porque a mudança constante do sujeito revela muitas distorções possíveis, mas principalmente falta de valores. Os valores não podem ser mudados constantemente, mas segundo critérios que levem em consideração questões objetivas e circundantes da subjetividade.
A dialética e a axiologia são , na sua relação, cheias de ruidos uma com a outra.
Mas isto tem uma consequencia um tanto mais grave: é que a dialética pode não ser movimento ,mas destruição, porque ela cria uma dependência mútua entre o bem e o mal, bem como com outras dicotomias. Então o bem seria o mal e vice-versa.
Eu me lembro que um dos exemplos usados para significar positivamente a liberdade era ter o conhecimento da escravidão, da sua perda.
Schelling dizia “ser livre não é nada, tornar-se livre,eis o céu” ,isto é, liberar-se constantemente de algo que o oprime(com todas as consequencias desta opressão)é mais importante do que o usufruto da liberdade. Parece o mito de Sísifo.
Esta junção enre o usufruto real da liberdade, como coisa em si, e a consciência de sua perda, que o sujeito pode não ter nunca, parece uma junção entre a vida real e a via intelectual explicativa, em favor desta última.
Aquilo que é pura e simplesmente, não necessita de contrafação, muito menos de experiência. É como dizer que é preciso entrar num forno crematório para perceber que os nazistas estavam errados...
O aparecimento do mal, como possibilidade, é algo que se impõe como experiência da e na humanidade, mas a sua experimentação não é a forma de garantir o seu contrário.
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