sábado, 13 de maio de 2017

A maturidade da humanidade



Ainda se propaga nas Universidades que o iluminismo é o momento da maturidade da humanidade,mas este conceito está errado e superado há muito tempo.O problema está na questão mesma do modelo:todo mundo quer que o seu modelo seja o vencedor dentro da luta social que se trava na humanidade desde a Revolução Francesa.
Como a Ilustração foi a última grande proposta de unidade do ser humano,o último grande projeto para a humanidade ,todos se voltam para este transcendente,cujas carcterísticas de puro racionalismo não servem mais para a nossa complexa realidade social.
Foucault notou isto em seus livros,ao ponto de chegar a  dizer “ O Homem morreu”.O que ele quis dizer  com isto é que o projeto abstrato acabou,havendo necessidade de reconhecer a realidade individual,os problemas relativos à sexualidade,à intimidade,que no século XVIII não ocupavam lugar de destaque(mas in limine).O individuo concreto vivo,como diz Marx estava ainda ainda nascendo.
A resposta positiva de Kant ,sobre a possibilidade deste individuo comum fazer filosofia ( e tudo o mais)só teve reconhecimento no final do século XIX,através da escola da Marburg e Hessen e Ernst Cassirer,mas Foucault percebeu esta nova realidade com Freud,a partir da “ Interpretação dos Sonhos” e o nascimento da discussão sobre a relação do homem  com o corpo,que já não é uma abstração explicativa,mas uma verdade que não pode ser definida por uma categoria científica única.” A verdade é concreta” Diz Marx antecipadoramente.
Esta verdade,de si para  para consigo mesmo( transexualidade,homoafetividade)são problemas que a razão não não só não  resolve,mas só um conjunto complexo que a reúne,as emoções,os sentimentos,os desejos,o sofrimento e assim por diante.
No meu modo de entender  existe um momento em que o iluminismo adquire o seu ápice final em Kant,com as consequencias devidas do seu pensamento,que reconhece,muito liminarmente,a presença da sensibilidade humana junto à razão e o crescimento desta consciência que se une(à revelia dos autores)com Freud(há outros,mas eu fixo neste eixo o caminho de transformação da sociedade humana contemporânea).
Contudo é preciso entender que a “ maturidade humana” é um conceito metafórico,porque não há termo de relação entre a maturidade individual e a da humanidade como um todo.Em primeiro lugar,porque seguindo uam visão de Horkheimer,o “ desencantamento do mundo”,não é,como eu já disse,a maturidade do ser humano,mas uma sua  pré-condição.
Humanidade é uma abstração,mas os individuos não.
Cassirer demonstra que a repulsão à Revolução Francesa ,bem como a sua sacralização(Hegel)jogou água demais no moinho da razão,do modelo:tudo segue um curso normal,lógico,dentro de uma suposta filosofia da história.Quem repeliu buscou outros modelos,quem sacralizou afirmou que os seus momentos são um caminho necessário e racional(a de aprendizado?)da sociedade.
Ambas as posturas estão erradas.O caminho de Kierkegaard é mais acertado(falaremos dele depois).
Assim sendo a maturidade individual(não abstrata) tem um fim,precede a morte,cuja experiência ninguém tem(Heidegger),mas a maturidade da humanidade não tem um fim,pelo menos definido,por qualquer instância.
Nem a ecologia,que vaticina o risco de fim da humanidade,nem a religião,com a escatologia,possuem condições de afirmar este fim.Então onde está o momento,a linha que caracteriza e estabelece tal maturidade?E o que vem depois é decadência?É manutenção?
Em princípio,e como minha hipótese, eu entendo que esta linha é o reconhecimento total das necessidades e direitos deste “ individuo concreto vivo” e num acréscimo ecológico,de tudo o que é vivo(a vida).
O reconhecimento da diversidade sexual,o amor livre(no sentido próprio do termo),a liberdade espiritual e material(superação da miséria)são os elementos desta maturidade humana geral,entendida como um epifenômeno(Kant)do fenômeno real da sociedade concreta,onde está o corpo.


Então esta maturidade começa em Freud,mas não sei onde nem  com quem ela termina.O que  sei é que ela não se funda numa contribuição intelectual ou científica única e em nenhum destes individuos,mas na concreticidade toda.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Ainda o problema da interdisciplinaridade



As relações posíveis entre Marx e Freud já foram um anúncio desta minha intenção,mas ainda quero tratar um pouco deste problema para que o leitor compreenda o meu método.
A moldura desta interdisciplinaridade é a História e nela eu falo de alguns itens esparsos,como as batalhas e a liderança politica em geral.Dentro desta moldura nós temos as ciências humanas,que eu prefiro,seguindo os fundamentos que aprendi na universidade e de alguns autores,chamar de saberes.
Os saberes sociais são interligados inevitavelmente.Pode o profissional escolher  um deles,mas de modo geral todos se esbarram.
A sociologia é a base geral,o oceano onde navegam a politica ou as ciências politicas,as idéias,as teorias,as filosofias.
Resumindo de forma simples com um diagrama:




domingo, 23 de abril de 2017

Profissão de fé do blog temas



Há muito queria definir o propósito  que fundamenta este blog.Sempre fui,do ponto de vista intelectual, um interdisciplinar e sou convicto que profissionalmente pode-se e deve-se ser especializado,mas na militância,na cidadania e na compreensão real do homem não há como falar em especialização,mesmo porque o homem é interdisciplinar,em todos os sentidos.
Culturalmente,gnosiológicamente,racionalmente, não há esta compartimentalização típica de nossos dias e sobre a qual eu já emiti a minha opinião ,em outro artigo:os objetivos polticos dela são claramente acabar com o espirito critico dos profissionais e dos intelectuais em geral.
Alega-se que o conhecimento cresceu demasiado e isto é uma verdade,mas como já ensinara Aristóteles e os filósofos em geral, o conhecimento não é quantitativo,mas qualitativo,discernidor e não acumulador.
O erro de nosso tempo é achar que se deve acumular,mas é falta de conhecimento filosófico o que induz uma pessoa a pensar deste modo.
E a capacidade crítica deriva deste discernimento,porque é a partir daí que se constróem critérios de qualquer natureza para abordar a realidade.
Este meu blog temas sempre foi naturalmente interdisciplinar,mas agora eu o declaro como tal e peço atenção exatamente do leitor para estas relações e para as verdades que acima disse,que ficarão(espero)claras com este meu trabalho.

domingo, 19 de março de 2017

Meu encontro com Freud só

A possível dialética




Quando eu tratei certa vez dos limites do humanismo renascentista,principalmente na figura de Leonardo da Vinci,eu procurei ver uma dialética entre ele e a natureza,pois ele não tirou de sua cabeça os princípios para criar a chamada “ máquina voadora”.A primeira coisa que   foi comprar vários pombos ,para soltá-los e analisá-los um a um.
Então,para mim,não havia demiurgia,a construção do homem e a partir do homem, o mundo.A demiurgia é construir o homem,mas o homem é a natureza,para esta época, e a modificação da natureza o é,também,do homem.Logo a demiurgia e a transformação da natureza estão interligados como o estão o imediato e o mediato,mais uma prova inequivoca da dialética.
Contudo analisando mais friamente a dialética e as relações da dialética ,como produto da consciência,com o sujeito humano,verifiquei quea ntes desta dialética Da Vinci/pombos havia a escolha de realizar o relacionamento.A dialética dependia do sujeito para existir.Pois Da Vinci escolheu.
Isto faria renascer a demiurgia?Em termos,porque a escolha da relação não é ela própria sózinha(porque existe a possibilidade do outro que há  a escolha[dialética]);muito embora o resultado da escolha com a análise do vôo do pássaro(dialética[vôo{síntese dialética}]) pudesse ser  inevitável(impulsivo[inconsciente])  o homem continua acompanhado e preso ao mediato/imediato ou vice-versa.
A escolha é kantiana,criticista ,enquanto que a relação é hegeliana.Mas esta última é que destaca o valor da escolha,que não teria sentido nenhum se não chegasse à finalidade,mas não existir,sem a prévia escolha,logo há uma dialética e para existir há que pensar numa não-dialética ,na escolha do sujeito,para existir.Então aqui,nas palavras,na razão discursiva,como diz Habermas em “ O discurso Filosófico da Modernidade” estaria resolvido o problema do movimento e do seu,suposto,modelo:o modelo é o discurso que se relaciona com a realidade,e o constitui kantianamente.
Todos conhecem os estudos sobre a sexualidade de Da Vinci feitos por Freud.E se a escolha é incosnciente?Como manter o criticismo e a dialética,mesmo subjetiva?
Nós conhecemos também  os estudos feitos pelo jovem hegeliano David Strauss sobre a trindade cristã Deus-Pai-Filho e espirito santo.Na dialética moderna era possível começar de qualquer lugar,até do filho,porque este era meio-deus,como seu pai,que,através do espirito santo “ fez” seu filho.E o espirito santo pode ter convencido deus-pai a fazê-lo.
Mas numa dialética freudiana?O id ou o superego podem começar a tríade?Ou é a consciência do inconsciente que começa?Isto tem relevância?
Tem sim porque a dialética é um movimento que não está pré-dado,como o movimento em si.Este é um dos problemas de Hegel e das “ leis da dialética”.Como o movimento,que move tudo,tem leis prévias?Como adequar o movimento com um modelo que por definição não é movimento?É a mesma coisa que querer um Deus espiritual que cria um mundo material sem sê-lo.É a mesma coisa que o marxsmo ,que se coloca como um modelo explicativo,mas não explica a si mesmo e quando o faz ,como modelo que é,se dilui no movimento(depois de destruir tudo).O marxismo é um modelo kantiano mas quer se diluir na dialética.
E no caso de Freud?É possível  legitimar este movimento não dando pré-existência ao inconsciente?