sábado, 17 de fevereiro de 2018

tradução do famoso texto de Popper What´s dialetics?

começo uma nova série traduzindo paulatinamente este famoso texto que demole a dialética hegeliana.





"Não há nada tão absurdo ou           incrível que não tenha
foi afirmado por um filósofo ou outro.
Descartes"



















1. DIALÉTICA EXPLICADA
O lema acima pode ser generalizado. Aplica-se não só aos filósofos e
filosofia, mas em todo o mundo do pensamento e da empresa humana, à ciência, à tecnologia, à engenharia e à política. Na verdade, a tendência de tentar qualquer coisa uma vez, sugerida pelo lema, pode ser discernida em um domínio ainda mais amplo - na variedade estupenda de formas e aparências que são produzidas pela vida e pelo nosso planeta.


este é o trecho em inglês
 


1. DIALECTIC EXPLAINED
THE above motto can be generalized. It applies not only to philosophers and
philosophy, but throughout the realm of human thought and enterprise, to science, technology, engineering and politics. Indeed, the tendency to try anything once, suggested by the motto, can be discerned in a still wider realm – in the stupendous variety of forms and appearances which are produced by life an our planet.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Meu encontro com Freud só



Patologia e desajuste II


Eu não sou especializado na parte,digamos,” medica “ da contribuição de Freud.Portanto me interesso pelas conseqüências do seu pensamento:a autonomização da subjetividade;o seu significado histórico-científico;o problema do desajustamento.
Sempre foi conhecida a inadequação  diante do real,mas com Freud esta constatação não só é aprofundada,mas também acrescida de outra que dá conta de que, a qualquer tempo,o real pode influenciar a subjetividade,de fora para dentro,já que ela não é capaz de abraçar o mundo todo completamente.Toca o mundo,é tocado por ele(numa relação dir-se-ia dialética)apenas.
Aceitar esta inadequação é condição de construção da consciência e de evitar a patologia,a neurose.Toda neurose é inadequação,mas nem toda inadequação é neurose.Contudo é de se perguntar se estas duas realidades são impermeáveis.Se a saúde é absoluta.O self  que subsiste na neurose é saúde plena?O conhecimento da patologia a dilui,como o conhecimento da alienação(Marx)?
Como propulsor da criatividade e produtividade,a consciência da inadequação,que é a consciência mesmo,se municia dela(-s)ou do pathos?
Estas perguntas ,em grande parte são “ médicas” e eu as busco para solucionar a dúvida sobre a subjetividade como fonte de um saber legitimamente auto-referente.Um saber legitimamente auto-referente é aquele que se “ enquadra” porque reconhece a inadequação,que contém o risco inerente ao crescimento e que permite  a incidência do trauma.
O trauma é diferente da inadequação,uma instância “ natural”.Ele se aproveita do risco para desviar a subjetividade do reconhecimento.O trauma é como a força:não cria nada a não ser o desvio desta naturalidade.Rousseau,em “ O contrato Social”,no capítulo sobre a escravidão ,afirma que  não há contrato senão entre  pessoas livres.Segundo Grotius o  escravo mantém a sua vida por decisão de seu vencedor,que se torna o seu senhor,mas explica Rousseau que esta relação não existe,porque não há manifestação de vontade do escravo e indiretamente ,a força,que antecipa a morte do escravo rebelde,oprime esta vontade.
Guardadas as proporções devidas, o trauma exerce um papel semelhante à força.Ele não cria nada,só reproduz a sua existência.O reconhecimento de sua presença(da neurose[do pathos])não a dilui e não induz à  produção.
O alcoolismo de Edgard Alan Põe não é o responsável pela sua criatividade.O reconhecimento da neurose ajuda-o de certa forma,enquanto conhecedor do  problema.O analista não conhece mais a patologia do que o analisando(um conceito de Foucault).
Então,uma coisa é a questão médica,outra a relação do homem com o mundo,com o real,com o seu corpo(um problema que analisarei pròximanente)
Isto me enseja responder ao segundo item que eu coloquei acima:o papel histórico-científico de Freud,se ele realizou um “ corte epistemológico”.Freud deve ser visto como parte integrante da História da Medicina,isto é,não só a história ,mas de sua evolução interna ,na busca de evitar o sofrimento humano.
Os atrasos históricos na física nada significam diante deste sofrimento,mas os da medicina sim e a sua causa(do atraso)é a interdição do corpo,do exame do corpo.
O iluminismo,na sua crítica à tradição judaico-cristã participa,ideologicamente desta interdição do corpo e tal se vê na interpretação do pecado original.Esta interpretação teve muitas repercussões nos críticos brasileiros da religião.Estes movimentos críticos afirmam que o pecado original não tem conexão com o sexo,mas com o conhecimento em geral.Não é verdade,o problema do corpo não é só  o da sua objetalização pela pesquisa,mas o da presença do prazer,do sofrimento,dos sentimentos e emoções,do sexo nas suas relações com o poder e a liberdade.Aqui não vou discutir se tudo está interligado no texto bíblico,mas o conhecimento do sexo é conhecimento também,e  fundamental para o individuo e a humanidade.
Freud se integra na medicina e opera uma contribuição.Nesta contribuição,o que acho extraordinário,embora não seja tudo criação dele,é que estabeleceu uma ligação entre a natureza e a consciência(social)humana,sem construir um modelo absoluto cientificista.Não importa que ele tenha buscado este modelo,o fato é que poucos fizeram esta ligação entre natureza e sociedade sem submeter esta última a uma canga limitadora.
Digo que não foi só ele porque o inconsciente foi uma descoberta do romantismo.O papel da mãe na formação da criança foi grandemente antecipado por Pestalozzi e Freud o sabe.Mas a sua solução não  é um corte epistemológico,exatamente porque não é uma nova ciência,mas um método de melhorar a condição humana.
Do ponto de vista das definições essenciais do conhecimento ,o médico não “ cura” o paciente,mas minora o seu sofrimento e administra com responsabilidade  aquilo que o descobridor da causa da doença oferece,a cura propriamente dita.Quem cura é Robert Koch,mas o pneumólogo administra a cura e minora o sofrimento do tuberculoso.
Freud tem ,diante disto ,uma identidade original,porque ele descobre a patologia e a transmite ao paciente.Outros depois dele foram descobridores e médicos.
Concluindo com o primeiro item supracitado,a autonomia da subjetividade aparentemente conduziu a clínica a futilidades,criticadas ,por  exemplo,por um Merquior.Tal asserção é parcialmente verdadeira.A atitude do analista conduz às vezes a esta futilização,mas agindo com rigor é mais do que certo dizer que o individualismo dos divãs “ forma” uma tendência geral,coletiva,psicosocial legitima, a ser considerada como tendência,como lei tendencial.
O nefando Paulo Francis ,suposta cultura(autoproclamada)que eu só cito aqui para ressaltar o descalabro diante da recusa de Freud e da clínica,atacava esta última,por motivos semelhantes aos de Merquior,sem ter  idéia da estatística de incesto,estupro de menores,só no Brasil.Se Freud tivesse contato com esta realidade (que não é só daqui)duvido que ele hesitasse na sua teoria da sexualidade infantil de 1895-98.