segunda-feira, 12 de junho de 2017

Porque é importante discutir a maturidade da humanidade?



A discussão sobre a maturidade da humanidade segue o mesmo caminho da maturidade individual,com algumas diferenças,claro:adequação ao mundo real.É uma forma de ontogenética,da ontogenética ligada à filogenética(Haeckel).Ao desenvolvimento geral social corresponde o individual e vice-versa(dialeticamente falando).
Mas será que é assim mesmo,este esquema funciona?A adequação do individuo(socialização)é idêntica à da humanidade?
Certamente que  as diferenças são claras.Não há como estabelecer um padrão único de maturidade para a humanidade como um todo.Atribui-se a Piaget(seguido por Habermas)que ao desenvolvimento material,ao conhecimento cada vez maior,cultural,da humanidade quanto ao seu entorno,social e natural,corresponderia  um progresso moral,tanto no plano geral quanto no individual.Esta idéia,supostamente dele,é contestada.
Julio Verne,seguindo uma longa tradição que vem de Benjamin Franklin,afirmou que a ciência(e o conhecimento) uniriam os homens,mas,eu aduzo,se estes quiserem,se as barreiras nacionais e interesses particularísticos deixarem e não deixam,o que põe o problema da moralidade como escolha não necessariamente associada às relações humanas,como a sociedade e a natureza,mas com algo transcendente,que carece de modelo prévio ,mas é construído na voragem do tempo.
Alguns critérios são chamados a formar este modelo:se os homens vivessem no famoso país de cocagne,em que que o leite e o mel brotam da terra,ininterruptamente,não haveria razão para dissensão e ódio,e parte da utopia é chegar a este país.
Eu disse no artigo anterior que a maturidade do homem começa com Freud e o reconhecimento das necessidades e direitos do corpo,mas esta verdade acrescenta-se àquela do século XVIII,do “ desencantamento do mundo” de Horkheimer,que prepara a construção de uma humanidade,posta separada da natureza,expressada numa declaração de direitos,tosca e ainda por fazer,sofrendo diluição e recondensação continuos.
Assim sendo o problema do começo já é um problema de como definir o tempo,o seu tempo,o que é este começo e a possibilidade de seu fim.
Se na esfera individual pode-se identificar etapas temporais de maturidade e imaturidade,conforme o nível de consciência,no plano geral é este um tema aberto.
No seio deste “ começo”,que deveria apresentar uma estabilidade para o gênero humano,cataclismos e violência atribuídos ao passado se repetem,se reforçam,mesmo no momento em que a constatação dos “ direitos humanos “ é mais forte.
A dialética pretende justificar isto(ideologia como consciência falsa)afirmando que a liberdade só se põe quando está perdida,mas a história da humanidade demonstra que,nas sociedades primitivas, as utopias do passado,de retorno  ao seu igualitarismo desaprovam as “ vantagens “ da civilização”(idade de ouro).Houve resistência à passagem da comunidade primitiva à civilização,como s evê na Biblia,no primeiro crime.
O problema desta maturidade geral se insere na confusão prévia entre o passado e o presente.A constatação do corpo só foi possível com o desencantamento e o desencantamento conduz ao corpo.
E o futuro,onde está?

sábado, 13 de maio de 2017

A maturidade da humanidade



Ainda se propaga nas Universidades que o iluminismo é o momento da maturidade da humanidade,mas este conceito está errado e superado há muito tempo.O problema está na questão mesma do modelo:todo mundo quer que o seu modelo seja o vencedor dentro da luta social que se trava na humanidade desde a Revolução Francesa.
Como a Ilustração foi a última grande proposta de unidade do ser humano,o último grande projeto para a humanidade ,todos se voltam para este transcendente,cujas carcterísticas de puro racionalismo não servem mais para a nossa complexa realidade social.
Foucault notou isto em seus livros,ao ponto de chegar a  dizer “ O Homem morreu”.O que ele quis dizer  com isto é que o projeto abstrato acabou,havendo necessidade de reconhecer a realidade individual,os problemas relativos à sexualidade,à intimidade,que no século XVIII não ocupavam lugar de destaque(mas in limine).O individuo concreto vivo,como diz Marx estava ainda ainda nascendo.
A resposta positiva de Kant ,sobre a possibilidade deste individuo comum fazer filosofia ( e tudo o mais)só teve reconhecimento no final do século XIX,através da escola da Marburg e Hessen e Ernst Cassirer,mas Foucault percebeu esta nova realidade com Freud,a partir da “ Interpretação dos Sonhos” e o nascimento da discussão sobre a relação do homem  com o corpo,que já não é uma abstração explicativa,mas uma verdade que não pode ser definida por uma categoria científica única.” A verdade é concreta” Diz Marx antecipadoramente.
Esta verdade,de si para  para consigo mesmo( transexualidade,homoafetividade)são problemas que a razão não não só não  resolve,mas só um conjunto complexo que a reúne,as emoções,os sentimentos,os desejos,o sofrimento e assim por diante.
No meu modo de entender  existe um momento em que o iluminismo adquire o seu ápice final em Kant,com as consequencias devidas do seu pensamento,que reconhece,muito liminarmente,a presença da sensibilidade humana junto à razão e o crescimento desta consciência que se une(à revelia dos autores)com Freud(há outros,mas eu fixo neste eixo o caminho de transformação da sociedade humana contemporânea).
Contudo é preciso entender que a “ maturidade humana” é um conceito metafórico,porque não há termo de relação entre a maturidade individual e a da humanidade como um todo.Em primeiro lugar,porque seguindo uam visão de Horkheimer,o “ desencantamento do mundo”,não é,como eu já disse,a maturidade do ser humano,mas uma sua  pré-condição.
Humanidade é uma abstração,mas os individuos não.
Cassirer demonstra que a repulsão à Revolução Francesa ,bem como a sua sacralização(Hegel)jogou água demais no moinho da razão,do modelo:tudo segue um curso normal,lógico,dentro de uma suposta filosofia da história.Quem repeliu buscou outros modelos,quem sacralizou afirmou que os seus momentos são um caminho necessário e racional(a de aprendizado?)da sociedade.
Ambas as posturas estão erradas.O caminho de Kierkegaard é mais acertado(falaremos dele depois).
Assim sendo a maturidade individual(não abstrata) tem um fim,precede a morte,cuja experiência ninguém tem(Heidegger),mas a maturidade da humanidade não tem um fim,pelo menos definido,por qualquer instância.
Nem a ecologia,que vaticina o risco de fim da humanidade,nem a religião,com a escatologia,possuem condições de afirmar este fim.Então onde está o momento,a linha que caracteriza e estabelece tal maturidade?E o que vem depois é decadência?É manutenção?
Em princípio,e como minha hipótese, eu entendo que esta linha é o reconhecimento total das necessidades e direitos deste “ individuo concreto vivo” e num acréscimo ecológico,de tudo o que é vivo(a vida).
O reconhecimento da diversidade sexual,o amor livre(no sentido próprio do termo),a liberdade espiritual e material(superação da miséria)são os elementos desta maturidade humana geral,entendida como um epifenômeno(Kant)do fenômeno real da sociedade concreta,onde está o corpo.


Então esta maturidade começa em Freud,mas não sei onde nem  com quem ela termina.O que  sei é que ela não se funda numa contribuição intelectual ou científica única e em nenhum destes individuos,mas na concreticidade toda.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Ainda o problema da interdisciplinaridade



As relações posíveis entre Marx e Freud já foram um anúncio desta minha intenção,mas ainda quero tratar um pouco deste problema para que o leitor compreenda o meu método.
A moldura desta interdisciplinaridade é a História e nela eu falo de alguns itens esparsos,como as batalhas e a liderança politica em geral.Dentro desta moldura nós temos as ciências humanas,que eu prefiro,seguindo os fundamentos que aprendi na universidade e de alguns autores,chamar de saberes.
Os saberes sociais são interligados inevitavelmente.Pode o profissional escolher  um deles,mas de modo geral todos se esbarram.
A sociologia é a base geral,o oceano onde navegam a politica ou as ciências politicas,as idéias,as teorias,as filosofias.
Resumindo de forma simples com um diagrama:




domingo, 23 de abril de 2017

Profissão de fé do blog temas



Há muito queria definir o propósito  que fundamenta este blog.Sempre fui,do ponto de vista intelectual, um interdisciplinar e sou convicto que profissionalmente pode-se e deve-se ser especializado,mas na militância,na cidadania e na compreensão real do homem não há como falar em especialização,mesmo porque o homem é interdisciplinar,em todos os sentidos.
Culturalmente,gnosiológicamente,racionalmente, não há esta compartimentalização típica de nossos dias e sobre a qual eu já emiti a minha opinião ,em outro artigo:os objetivos polticos dela são claramente acabar com o espirito critico dos profissionais e dos intelectuais em geral.
Alega-se que o conhecimento cresceu demasiado e isto é uma verdade,mas como já ensinara Aristóteles e os filósofos em geral, o conhecimento não é quantitativo,mas qualitativo,discernidor e não acumulador.
O erro de nosso tempo é achar que se deve acumular,mas é falta de conhecimento filosófico o que induz uma pessoa a pensar deste modo.
E a capacidade crítica deriva deste discernimento,porque é a partir daí que se constróem critérios de qualquer natureza para abordar a realidade.
Este meu blog temas sempre foi naturalmente interdisciplinar,mas agora eu o declaro como tal e peço atenção exatamente do leitor para estas relações e para as verdades que acima disse,que ficarão(espero)claras com este meu trabalho.