domingo, 23 de abril de 2017

Profissão de fé do blog temas



Há muito queria definir o propósito  que fundamenta este blog.Sempre fui,do ponto de vista intelectual, um interdisciplinar e sou convicto que profissionalmente pode-se e deve-se ser especializado,mas na militância,na cidadania e na compreensão real do homem não há como falar em especialização,mesmo porque o homem é interdisciplinar,em todos os sentidos.
Culturalmente,gnosiológicamente,racionalmente, não há esta compartimentalização típica de nossos dias e sobre a qual eu já emiti a minha opinião ,em outro artigo:os objetivos polticos dela são claramente acabar com o espirito critico dos profissionais e dos intelectuais em geral.
Alega-se que o conhecimento cresceu demasiado e isto é uma verdade,mas como já ensinara Aristóteles e os filósofos em geral, o conhecimento não é quantitativo,mas qualitativo,discernidor e não acumulador.
O erro de nosso tempo é achar que se deve acumular,mas é falta de conhecimento filosófico o que induz uma pessoa a pensar deste modo.
E a capacidade crítica deriva deste discernimento,porque é a partir daí que se constróem critérios de qualquer natureza para abordar a realidade.
Este meu blog temas sempre foi naturalmente interdisciplinar,mas agora eu o declaro como tal e peço atenção exatamente do leitor para estas relações e para as verdades que acima disse,que ficarão(espero)claras com este meu trabalho.

domingo, 19 de março de 2017

Meu encontro com Freud só

A possível dialética




Quando eu tratei certa vez dos limites do humanismo renascentista,principalmente na figura de Leonardo da Vinci,eu procurei ver uma dialética entre ele e a natureza,pois ele não tirou de sua cabeça os princípios para criar a chamada “ máquina voadora”.A primeira coisa que   foi comprar vários pombos ,para soltá-los e analisá-los um a um.
Então,para mim,não havia demiurgia,a construção do homem e a partir do homem, o mundo.A demiurgia é construir o homem,mas o homem é a natureza,para esta época, e a modificação da natureza o é,também,do homem.Logo a demiurgia e a transformação da natureza estão interligados como o estão o imediato e o mediato,mais uma prova inequivoca da dialética.
Contudo analisando mais friamente a dialética e as relações da dialética ,como produto da consciência,com o sujeito humano,verifiquei quea ntes desta dialética Da Vinci/pombos havia a escolha de realizar o relacionamento.A dialética dependia do sujeito para existir.Pois Da Vinci escolheu.
Isto faria renascer a demiurgia?Em termos,porque a escolha da relação não é ela própria sózinha(porque existe a possibilidade do outro que há  a escolha[dialética]);muito embora o resultado da escolha com a análise do vôo do pássaro(dialética[vôo{síntese dialética}]) pudesse ser  inevitável(impulsivo[inconsciente])  o homem continua acompanhado e preso ao mediato/imediato ou vice-versa.
A escolha é kantiana,criticista ,enquanto que a relação é hegeliana.Mas esta última é que destaca o valor da escolha,que não teria sentido nenhum se não chegasse à finalidade,mas não existir,sem a prévia escolha,logo há uma dialética e para existir há que pensar numa não-dialética ,na escolha do sujeito,para existir.Então aqui,nas palavras,na razão discursiva,como diz Habermas em “ O discurso Filosófico da Modernidade” estaria resolvido o problema do movimento e do seu,suposto,modelo:o modelo é o discurso que se relaciona com a realidade,e o constitui kantianamente.
Todos conhecem os estudos sobre a sexualidade de Da Vinci feitos por Freud.E se a escolha é incosnciente?Como manter o criticismo e a dialética,mesmo subjetiva?
Nós conhecemos também  os estudos feitos pelo jovem hegeliano David Strauss sobre a trindade cristã Deus-Pai-Filho e espirito santo.Na dialética moderna era possível começar de qualquer lugar,até do filho,porque este era meio-deus,como seu pai,que,através do espirito santo “ fez” seu filho.E o espirito santo pode ter convencido deus-pai a fazê-lo.
Mas numa dialética freudiana?O id ou o superego podem começar a tríade?Ou é a consciência do inconsciente que começa?Isto tem relevância?
Tem sim porque a dialética é um movimento que não está pré-dado,como o movimento em si.Este é um dos problemas de Hegel e das “ leis da dialética”.Como o movimento,que move tudo,tem leis prévias?Como adequar o movimento com um modelo que por definição não é movimento?É a mesma coisa que querer um Deus espiritual que cria um mundo material sem sê-lo.É a mesma coisa que o marxsmo ,que se coloca como um modelo explicativo,mas não explica a si mesmo e quando o faz ,como modelo que é,se dilui no movimento(depois de destruir tudo).O marxismo é um modelo kantiano mas quer se diluir na dialética.
E no caso de Freud?É possível  legitimar este movimento não dando pré-existência ao inconsciente?


domingo, 5 de março de 2017

Meu encontro com Marx só



O papel da religião afinal


Para concluir a discussão sobre o papel da religião no âmbito  do marxismo não acho possível condicionar comunismo ou socialismo ou qualquer coisa com o fim da religião.É surreal e irreal isto aí.Como é que um punhado de revolucionários russos,em 10 anos ,poderia acabar com uma religião de 1500 anos?
O que os bolcheviques fizeram foi um acordo ,nem sempre cumprido(por parte deles)com a religião ortodoxa,para que as partes se entendessem em nome de uma situação que já não tinha mais volta.
Fizeram politica no sentido mais tradicional e primitivo ,para manter o seu poder e   isto se aprofundou ainda mais com Stalin e o stalinismo.
Não tenho  certeza se a finitude humana vai ser uma base constante para a  necessidade da religião.Particularmente acho pouco.
O que disse no artigo anterior foi exatamente para  demonstrar que contrariamente ao que pensava o velho Marx  ,a religião não é apenas uma forma da manipulação de consciência social,mas é também uma forma desta última expor as suas contrariedades.” O respiro da criatura oprimida”.Marx deixou de desenvolver isto aí.
Quando Engels ,em seu livro sobre o cristianismo primitivo, compara este movimento com  o movimento operário ele põe como óbice a religião e preconiza para o movimento operário o abandono desta consciência falsa,mas a verdade é que a realidade do socialismo real no século XX indica uma convivência inevitável,voltando aos pródromos de Voltaire:o além-túmulo,a existência de Deus são uma teoria,que não deve atrapalhar o movimento social,como Engels ensinou na  comuna de Paris aconselhando a deixar a religião para o foro íntimo.
Entendo ser dificil conciliar a igreja católica,o movimento cristão-católico, com o socialismo e o comunismo,mas a idéia de Deus,os valores(alguns pelo menos)podem andar juntos sem problemas.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Freud,Jung e a doutora Nise da Silveira




Uma questão superada



Vendo a pelicula sobre a doutora Nise da Silveira e sabendo já de suas contribuições,relações com Jung e Freud(que ela respeitava),me veio á mente ,de  acordo o artigo “petição de princípio” que eu publiquei no blog conhecimento,a questão da “ cura”,como o limite ético do médico.
A cura era entendida pela psiquiatria tradicional como o uso de meios quaisquer para ressocializar o paciente,mesmo a lobotomia ou retirada de partes especificas do cérebro.
A pessoa,mutilada,objetalizada, não causava mais problemas ao meio familiar e isto era tido como ressocialização e “ cura”,superação do problema.
As contribuições de Jung ,seguidas pela doutora Nise demonstraram que o paciente não é identificado totalmente com a doença,porque é impossível que a doença tome a pessoa totalmente,inclusive a doença mental.
Os estudos sobre o incosnciente humanizaram a sociedade,mostrando que porque o homem não controla  a sua vida ela está sempre lá,ainda que sob os maiores achaques.
Quando é possível,através de terapia ocupacional,chegar a esta área aparentemente perdida,a humanidade do paciente ,um pouco da sua subjetividade retorna e o ajuda,mas cura ,no sentido absoluto do termo não há e nos lembramos aqui dos artigos sobre Freud em que fica clara a natural inadequação humana ,cujo reconhecimento é a condição de  crescimento do sujeito.
O cientificismo psiquiátrico do século XIX tem a seu favor o fato de que o médico deve ministrar uma cura ,não podendo se omitir.Mas como disse certa  vez o doutor Dráuzio Varella,lembrando a tradição da medicina,o médico não cura o paciente,mas minora o seu sofrimento.Quem cura é o pesquisador que descobre a razão de ser da inciência da doença.É Robert Koch quem cura a tuberculose,o médico a  administra sempre procurando menos dor para o seu atendido.
Num período de pouco conhecimento, estes elementos éticos toscos eram chamados à baila para exigir uma certa postura dos profissionais,o que mudou com Freu ,Jung e a doutora Nise da Silveira.
No entanto outros problemas éticos aparecem:então o terapeuta não tem como curar o paciente?Minorar significa o quê?Socializar?Acostumar-se à dor?Admitindo-se que cada paciente,com uma biografia, pode ou não sair em alto grau de seu beco sem saída,não seria isto transferir  a responsabilidade da cura a ele?Jung,e  isto é retratado no filme ressalta a falta de medo do paciente quanto ao seu inconsciente.Esta seria a parcela de responsabilidade do terapeuta?Levá-lo a não ter medo?
Admitindo-se  a inadequação como inevitabilidade da existência humana e a diferença entre as doenças mentais e as demais,o trabalho do terapeuta é como o de uma professora que segura na mão do aluno e o ajuda a reconstruir e/ou reconsituir o seu caminho,ou pelo menos,um sentido.
Em outra ocasião citando Heidegger eu disse que a filosofia(e a razão)tinham um  ponto cego(que os nazistas de toda hora exploram):quem não tem sentido para a vida,não é afetado por ela,qual o seu lugar?Há inúmeras inutilidades recorrentes na história da humanidade que servem aos propósitos excludentes e destruidores do poder.
O terapeuta neste caso adquire um papel interdisciplinar,pois se torna um professor também,precisando reconhecer que nem sempre a profissão,como a razão, podem ter únicas balizas e sólidas,porque o homem não tem.
Se analisarmos o homem de Vitruvio:




E perguntarmos o que ele pode ser,chegaríamos a uma enciclopédia infinitesimal.
A doutora Nise,bem como Freud e Jung(et al)superam o passado cientificista na constatação óbvia(dos renascentistas pelo menos)de que o homem ou qualquer atividade pode ser reduzida a um conceito profissional fechado,porque tudo está no tempo e porque o homem(no tempo)não é redutível a um discurso único.O psicólogo aqui é pedagogo e tal não fere a sua ética,como pensa o psiquiatra.
Muitas críticas foram feitas a Freud neste sentido,inclusive na URSS,taxando-o de aproveitador,de ganhar fama não resolvendo o problema de seus pacientes.Tais coisas foram ditas sobre Einstein ,um suposto teórico sem comprovação.
Mas tudo isto é ignorar que as verdadeiras balizas do homem é ele que as coloca ou descobre(desvela),como no filme de Welles,baseado em “ O Processo” de Kafka,em que uma sentinela proibe a entrada de uma pessoa num lugar que ela quer muito ver.Passa a vida tentando convencer a sentinela a deixá-la entrar,mas sem conseguir.Quando está à beira da morte a sentinela vai embora,mas a pessoa ,estupefata pergunta:agora que eu vou morrer você sai desta porta?Ao que o outro responde:não existia porta ,nem sentinela,ambos são criações suas.
Proximamente eu vou falar sobre o sentimento de alegria que era tão importante para a doutora Nise.