domingo, 28 de dezembro de 2025

Serie mitos e verdades da segunda guerra

 

Posso agora voltar a dois temas que gosto muito:direito e marxismo e segunda guerra.

Em primeiro lugar tratarei deste ultimo tema,depois retorno ao outro.

A (re-)leitura ,mais sistemática,das memórias de Churchill,me permite fazer outras observações,além do quê,sob a perspectiva da maturidade.É como ler de novo,como se fosse a primeira vez.

E logo reestudei o problema relativo à Tchecoeslováquia em que Churchill tem uma posição quase semelhante à dos soviéticos,que não foram chamados para a cimeira de Munique.

Churchill é um daqueles que pensa que a guerra praticamente começou aí e é justamente sobre este fato que eu quero comentar.

A posterior invasão da Tchecoeslováquia,em março de 39,era a justificativa perfeita para o inicio do que viria a ser o inicio da segunda guerra.

Permanece(para mim) um mistério porque Reino Unido e França não declararam guerra neste momento,o que teria salvo a Polônia do que lhe aconteceu depois.

A Eslováquia tornou-se independente e os alemães invadiram os sudetas.Estes fatos diminuem decerto o impacto da invasão,isto sem falar nas pretensões da Polônia,que podiam soar como defensivas.

Mas a verdade é que esta invasão feria os principios do acordo de Munique e só uma declaração de guerra era a resposta possível e plausível.

Nas narrativas atuais estes fatos são ignorados:o pragmatismo do apaziguamento deixou a Polônia a descoberto e um espaço maior de manobra para os nazistas.

A razão para este apaziguamento todo mundo sabe: Hitler era um anteparo para os comunistas,mas chegou o momento de que este pretexto parasse de servir aos propósitos imperialistas de Hitler no âmago da Europa.Eu vou discutir isto proximamente.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Quando eu era professor

 

Eu iniciava as minhas aulas sobre abstração da seguinte maneira simples:é só o aluno pegar as características definidoras do Ser,do objeto e deixar de lado as acessórias.

Por exemplo uma cadeira:o que a define é a sua finalidade,uma forma apropriada para sentar. A sua cor ,o tipo de matéria,o design,tudo isto é acessório.

Mas eu às vezes tinha vontade de adiantar Kant mostrando que tais definições eram na verdade construções subjetivas porque na verdade não existe um tipo só de cadeira,um tipo só de material ou cor e que a finalidade da cadeira era algo abstrato.

E no final das contas o essencial e o acessório estão misturados na coisa,no Ser e que era apenas pelo pensamento que eram separadas.

O sentido moderno da fenomenologia ressalta exatamente este fato,de que o fenômeno se apresenta(presença)in totum.

Então a descoberta da essência ,pela abstração,não é fenômeno?O fenômeno cadeira só se dá pela sua essência ,que na verdade está interligada objetiva e necessariamente àquilo que é secundário ou acessório?

O fenômeno por definição é aquilo que se apresenta diante de um observador.A busca de sua essência definidora é a sua explicação,o desvelamento do Ser.

A essência e seus atributos não-essenciais(que ajudam a compô-la)velam o Ser e a abstração filosófica o desvela na sua essência e finalidade,bem como outras características.

A desconstrução do real proporcionada pela filosofia,não é a sua destruição,mas a sua compreensão e condição de sua reconstrução,pelo pensamento.

Quando eu era professor,de diversos modos eu buscava desconstruir o real de maneira a mostrar aos alunos como tudo era ilusório e como é o ser humano,kantianamente falando,quem atribui diversos significados e essências ao real.

Eu fazia também esta desconstrução com Descartes e Sócrates ,mas isto é assunto para um outro próximo artigo.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Sismondi 2 A crítica de Lênin a Sismondi

 

Ha algum tempo atrás eu escrevi um artigo sobre as verdades que Sismondi dissera. Que havia um desquilibrio entre a capacidade produtiva das máquinas do e no capitalismo e a capacidade de consumo da sociedade.

Uma vez que é discutivel a teoria da exploração de Marx(e eu não vou tratar dela aqui e agora),ficou para mim mais fácil de entender as crises do capitalismo desta maneira. Ela se junta a outras dicotomias de que eu já tratei e me parecem causas eficientes dos problemas que nós temos até hoje(o problema populacional por exemplo).

Em Lênin existe uma critica a este pensamento e eu vou me reportar a ela.

No livro “caracterização do romantismo econômico” lênin diz:

La primera conclusión errónea de esta errónea teoría se refiere a la acumulación. Sismondi no comprendió la acumulación capitalista, y en la acalorada polémica que acerca de esta cuestión entabló con Ricardo, resultó que en esencia la verdad estaba de parte de este último. Ricardo afirmaba que la producción crea su propio mercado, mientras que Sismondi lo negaba, y sobre esta negación fundó su teoría de las crisis.”

Tenho a impressão de que há uma incompreensão do que Sismondi disse:é que o mercado não dá conta da capacidade produtiva do capitalismo porque não é uma industria só que cria seu próprio mercado,mas muitas,que competem,produzem exponencialmente e num determinado momento não há mais capacidade de compra do mercado.

Outras razões concorrem para isto,como o achatamento dos salários,a acumulação primitiva,mas ,no final das contas o processo das crises tem um componente básico econômico,mas também politico,de organização da sociedade,na sua movimentação e luta pela concorrência.

Deste modo nós entendemos que persiste a grande possibilidade de Sismondi ter razão.Como Lênin responde a isto?Próximo artigo.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A crueldade fraternal

 dos direitos humanos

O Marquês de Sade foi um dos primeiros a identificar essa impessoalidade institucional em que nós vivemos. Ele tem uma visão negativa da República contrariamente a minha visão mas expressa com clareza o fato de que a República desencarnou as pessoas de sentimento de verdade para torná-las entidades iguais.Isso pra mim é positivo,mas parcial porque evidentemente os homens não se reduzem a República e à cidadania. E muito menos aos direitos humanos embora tudo isso seja o ideal de congraçamento que não se realiza, pelo menos até hoje. 

Ao mesmo tempo que um ideal de bondade ,os direitos humanos são um escárnio diante dessa realidade a que estou me referindo. Só resta às pessoas protestar contra essa situação mas o núcleo da humanidade consciente dos problemas ,mas tendo necessidade de trabalho e de servir aos outros ,não tem a condição de por si mesmo intervir na problemática e só resta senão mandar o estado fazê-lo.

E como o estado responde?Com a mesma impessoalidade que identificamos logo acima no inicio do artigo.

Os meios para solucionar toda esta estrutura sádica,é também sádica,porque faz ouvidos moucos aos apelos e protestos das pessoas de bem e desvia estes interesses para interesses particulares,acantonados no Estado.

Esta análise o marquês não pode fazer ,mas nós deslindamos o seu desespero,que,possivelmente causava as suas transgressões.

Em outros artigos ponho as minhas concepções sobre porque as coisas são assim e como superá-las.

O principio da construção é mais dificil de realizar do que o da destruição,mas a destruição deixa marcas.Por isto sou otimista que no final das contas o primeiro principio predomine,SE HOUVER AÇÃO DAS PESSOAS DE BEM.Se este marasmo continua o futuro é sombrio e o risco de exetrminação é maior.

O marquês fica na destruição,mas ele tem um elemento redentor na sua personalidade e na sua obra:a denúncia.E enviesadamente expõe este lado que todos os esquecemos para podermos continuar:o sofrimento e desamparo humanos.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

A crueldade fraternal. (De volta)

 

Todos esses meus meus esforços para escrever artigos me conduzem a alguns temas que eu coloquei anos e anos e que agora me interessa retornar.O primeiro tema são os estudos sobre o Marquês de Sade. E diante da realidade em que vivemos cotidianamente,em que o mal prevalece sobre o bem, temos que recorrer a estes ensaios sobre o Marquês para poder entendê-la.

Eu já falei em outra ocasião que todas as transgressões expostas nos livros do Marquês de Sade são na verdade para dar legitimidade e autenticidade ao que ele discute. As transgressões servem para provar a sua vinculação com essa doença e com esse problema do sadismo ,mas ele tem uma discussão,pensamento, em torno disso.

O mundo é sádico porque nós vivemos uma realidade em que a parte que usufrui da felicidade convive com os que não;aqueles que vivem no bem-estar convivem com os que passam por torturas indescritiveis no seu dia a dia.

Torturas,não só em decorrência da violência e insegurança,mas igualmente pela condição econômica da sociedade,em que uns vivem no bem-estar e outros não.

O meu olhar é o de Fernando Peixoto ,que escreveu uma boa biografia do Marquês e associou,muito acertadamente, a questão do sadismo com a questão social,com a opressão e a carência absurda que faz os homens se desdobrarem em atividades nem sempre justas e corretas para obter miseros cobres e poder comer uma vez por dia,como se estivessem em campos de concentração e extermínio,nos quais metade de um pão era dada aos prisioneiros ,por dia,para trabalhar até a exaustão e...a morte.

Então nós temos duas realidade que convivem e não se ouvem,com alguma exceção ,o que muito agradaria ao marquês,sabendo que suas ideias correspondem à realidade.

Na verdade toda a sociedade sabe destes dois lados, o que é a pedra de toque do sadismo:aquele que acorda de manhã faminto e o que acorda com um lauto café.

Fico vendo estas imagens e adaptações do ser humano diante desta situação sádica.