A incorporação do mal é para construir uma lógica explicativa do real. Se não houvesse isto, esta lógica, como explicar o fracasso da Revolução Francesa? Em termos éticos abordar a história é depender de um projeto pré-estabelecido que dê sentido a ela e nem sempre fazer no imediato da pesquisa.
No meu modo de entender a Revolução Francesa significou um impulso de progresso relativo na humanidade. E seu impulso foi até o ano de 1889.
Caracterizar o terror como uma necessidade histórica é algo possível de constestar se nós levarmos em consideração como a História de fato é. Para Hegel existe uma filosofia da história pré-dada. É como se o seu desenvolvimento obedecesse a leis rígidas.
Mas a história não é assim. É outra questão saber porque Hegel raciocinou assim. Em outro artigo eu falarei disto aí.
A História é consequencial. É lógico que as forças desencadeadas pela revolução continuaram em Napoleão tornando a questão do terror de importância relativa. A queda no regime de terror não necessariamente garantiu a revolução. Mesmo no termidor, estas forças continuaram operando e desembocaram, como eu já falei, em Napoleão e suas guerras.
Mesmo depois de Napoleão ,após a restauração, como ocorreu na Revolução Gloriosa da Inglaterra, estas tendências prosseguiram. Todo mundo analisa a Revolução Francesa como tendo terminado no Termidor, mas isto não é verdade.
O progresso relativo da Revolução Francesa significa que em termos de direitos humanos houve muito pouco avanço, mas em termos de maior hegemonia do capitalismo, sim.
Muito embora a maior liberdade nascida dela tenha sido conseguida, os problemas de direitos humanos continuaram com a sociedade de classes. A História é assim mesmo, cada época histórica é assim mesmo: tem coisas positivas e negativas. Proudhon tem razão. De modo que a questão de Hegel justificar o Terror, como parte da História, revela um pouco a limitação da vida individual do pesquisador, que não tem uma visão de longo prazo possível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário