Hegel é a resposta mais ampla que existe sobre a questão do movimento, que começou com Galileu. Os croquis de Galileu sobre as fases de Vênus e os movimentos das luas de Júpiter convenceram o cientista da veracidade do movimento e da mudança, mas isto não s e tornou uma verdade geral de imediato.
Até o final do século XVII e entrando um pouco no seguinte, ainda era necessário convencer muita gente da sua existência. Movimento é mudança , é possibilidade, direção diferente e se isto cai nas mãos da humanidade, como caiu na França da revolução e do iluminismo, todos os poderes estão ameaçados.
Tanto na França , como na Alemanha, esta questão cresceu forte e rapidamente chamou a atenção dos respectivos iluminismos. Na Alemanha, a resposta “ definitiva”(se é que existe uma)é a dialética de Hegel, que parece, com suas leis complexas, ter justificado e explicado o movimento.
Mas por mais que Hegel tenha tentado cientificizar o movimento(tornando-o na verdade uma outra metafísica[ou seja um não-movimento])para dar-lhe um fundamento inatacável, o movimento, como eu já expliquei sobejamente em outros artigos, não é pré-dado, ele simplesmente é, se fazendo. Os modos pelos quais o movimento se manifesta são uma produção da natureza e da sociedade( movimento químico, a educação), mas ele se modifica na medida mesmo em que é livre.
Hegel colocou os modos à frente do movimento e é isto que compromete a “ Ciência da Lógica”: não existe nada como ciência do movimento, mas dos modos do movimento, como não existe um Ser de conteúdos, mas um ser em geral, que se movimenta.
De qualquer forma o reconhecimento da existênca do movimento se faz por Hegel, no fim do século XVIII e inicio do XIX e marca o começo da “ era das revoluções”, em que os poderes estabelecidos são derrubados.
Em nossa época parece ter havido uma derrota das revoluções, o que a torna o tempo da resignação e da incerteza, como dizia José Arthur Giannotti, mas o movimento continua aí.
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