A confusão que faz Hegel entre o movimento e os modos do movimento compromete esta visão de “ ciência”. Na verdade ele está colocando a dialética no conteúdo das coisas, no Ser. O movimento estaria no intra-ser, na sua essência e substância. É aquele principio de que uma coisa é ela e outra ao mesmo tempo. No Ser está o não-Ser, o seu contrário lógico, que o faz movimentar-se. Todo o ser tem o seu contrário. Então o contrário de movimento é não movimento. Como então algo que não é “faz” o que é? É lógico que muitos responderiam: o repouso é o contrário do movimento, como a física ensina.
Contudo , hoje nós sabemos que nada está realmente parado e que o repouso é uma ilusão, como a relativistica ensina.
A lógica objetiva dialética parte do pressuposto de que ela expressa o movimento do real, mas nós vemos, com este exemplo ultimo e anterior, que existe uma discrepância entre o saber científico, objetivo e a dialética objetiva hegeliana.
É ilusório falar em repouso real ,como contrário ao movimento e assim sendo a dialética hegeliana objetiva é posta em xeque.
Se o movimento é continuo ,inercial, então não há leis dialéticas que expressam a sua verdade . A resistência à inércia é uma ilusão da ciência moderna que ainda influenciava Galileu e Hegel.
A mudança no paradigma científico mostra que a própria ciência(e a ciência da lógica), os próprios saberes, são atimgidos pelo movimento, não havendo como constituir uma certeza definitiva e absoluta.
Isto atinge também a ciência da lógica como vimos. Ela se constrói , nos seus modos, a partir das ciências em geral, que se modificam , que acrescentam saberes ao longo da História e então a ciência da lógica não só corre este risco, como é atingida por esta verdade o tempo todo.
A lógica, de modo geral, formal, subsiste, porque ela não se preocupa com o movimento , mas com a ordem das coisas. Quando se preocupa com o movimento aparecem contradições.
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